BANDA DESENHADA DE CARLOS SÊCO, APRESENTADA, DIA 27, NA LOUSÃ
Coimbra tem um festival de BD (banda desenhada ou bedê) habitualmente com a curadoria de João Miguel Lameiras que em parceria com Bruno Caetano afirmaram, no Facebook, afastarem-se da edição deste ano, prevista para setembro, à qual o município parece pretender conferir uma formulação com conceitos que estes organizadores não concordam. O importante, no nosso ponto de vista, é termos os referidos “curadores” ativos pois muito têm dado à Banda Desenhada e, ao mesmo tempo, sugerir que não se perca a realização de um festival de BD em Coimbra.
É acerca de BD que hoje articulamos em O DESPERTAR. Atentos aos valores da nossa cidade e região voltamos a referir que vai ser lançado, no próximo dia 27, na Lousã, o livro O CASO DA CUSTÓDIA ROUBADA de autoria de CARLOS SÊCO, professor e desenhador, cartunista, caricaturista, humorista, um nome que convém fixar pelo prestígio que alcançou e porque vai, seguramente, ser um nome com obra a internacionalizar-se. Neste seu livro de banda desenhada o protagonista é o professor FISÁLIS, personagem criada com base na figura do professor lousanense, Álvaro Viana de Lemos (1881-1972), um docente seguidor da ESCOLA NOVA. O professor Fisális faz, nesta narrativa de vinhetas, “a maior descoberta do século”, seguindo-se uma odisseia com laivos de policial e com tonalidades de mistério, ação e pedagogia. Por exemplo, no decurso da história, o leitor é convidado a ver e a descobrir, pelo seu smartphone e com recurso ao código QR, por norma em rodapé, o que é um “ex-voto”, reconhecer uma automotora modelo Alan que circulou na desmembrada Linha Ferroviária da Lousã, pode ser convidado a colorir, a conhecer as invasões napoleónicas, ou seja, o livro é um manancial de informação, formação, diversão e um hino à melhor BD em Portugal. Na Lousã convivem os nossos admirados BELISÁRIO, o grande cronista-cartunista de O DESPERTAR, cada vez mais apreciado e um dos espaços OBRIGATÓRIOIS E APETECÍVEIS para os nossos leitores; e também outro caricaturista cartunista de referência, o ZÉ OLIVEIRA, de quem aqui tenho falado com regularidade. Proponho que no próximo aniversário do nosso jornal possa ser elaborada uma PÁGINA DE HOMENAGEM a estes admirados vultos do desenho: BELISÁRIO, CARLOS SÊCO e ZÉ OLIVEIRA convidando-os a desenharem novos trabalhos para essa página ou publicando um ou dois trabalhos, narrativas sequenciais de que tenham sido autores anteriormente, e um perfil biográfico dos três. SÃO NOTÁVEIS E É URGENTE DIVULGAR OS NOSSOS QUE SÃO DOS MELHORES E QUE REPRODUZEM A EXCELÊNCIA. Nesta linha aproveitei para pedir ao ZÉ OIVEIRA que nos falasse de CARLOS SÊCO, seu amigo, e cujo percurso conhece em detalhe. A resposta foi esclarecedora:
“O Carlos Sêco é um cidadão muito mais inquieto do que poderá parecer aos mais distraídos. Inquieto, no sentido literal do termo; nunca está quieto. Se ele, professor em Miranda do Corvo, não apareceu há dias na sala de convívio para dois dedos de cavaqueira com os colegas durante o intervalo, é porque ficou na sala de aulas a desenhar um Tintim a giz, no quadro, de modo a surpreender os alunos quando reentrassem. Para que não esquecessem que, naquele dia, o repórter de Hergé fazia noventa e tal anos.
Outros exemplos da inquietude do Carlos: tanto pode andar por aí a recolher imagens para um documentário de vídeo, passar o serão a montá-lo e colocar-lhe o som, a criar um cartoon ou escrever um texto para o jornal Trevim ou a dedilhar as cordas da guitarra na banda onde toca. Ou a reorganizar a sua enorme coleção de tema Tintim. É, claramente, um seguidor da linha gráfica de Hergé. Esta sua primeira BD demonstra isso. O Carlos Sêco é um pedagogo que vai muito para além dos manuais e dos programas de ensino. Nas suas aulas, os alunos fazem jornais, emissões de rádio, exposições de arte”.
Carlos Sêco, filho de pais lousanenses, nasceu em França em Fontainebleau, a 24 junho 1969 e veio para Portugal em 83, para a Lousã. Tem sido colaborador, paginador, fotógrafo, repórter e ilustrador do jornal TREVIM onde podemos ver o seu HUMOR A SÊCO. Criou a personagem JONAS, presente em várias bandas desenhadas, sempre em policromia; e as mais recentes bedês têm ocupado duas pranchas, uma destas dedicada ao enorme compositor musical luso-americano John Philip de Sousa e ao seu “sousafone”. Tem um blogue com BD inserida no mundo infantojuvenil, coisa rara na componente BEDÉFILA da blogosfera. Não percam, no próximo dia 27, o lançamento deste belíssimo livro de Banda Desenhada, uma história eletrizante…INCRÍVEL E MUITO GIRA. Como dantes se dizia: Uma história “aos quadradinhos”.