O jornal O Despertar constitui um baluarte centenário da imprensa no nosso país. Foi testemunha de mudanças de regime, sofreu as agruras da censura no tempo do Estado Novo, libertou-se das amarras com a Revolução de abril, efetivando-se como o principal jornal das nossas comunidades e freguesias.
É difícil imaginar a imprensa de Coimbra sem o seu Despertar, que durante anos teve como sede o bem conhecido edifício sito na baixa, junto ao Pátio da Inquisição, em lugar privilegiado para obter informação sobre aquilo que de mais importante ia ocorrendo na cidade. Estava perto da Câmara Municipal e das principais vias de comunicação, dos serviços e comércio citadinos. Por isso e para muitos O Despertar ainda é visto como o jornal da baixinha tradicional de Coimbra.
O caminho tem sido longo. Nas suas páginas constam os nomes dos diversos colaboradores que enriqueceram a produção impressa com peças sobre assuntos diversificados: política, sociedade, cultura, economia, desporto, etnografia, folclore, personalidades.
O Despertar foi uma escola de formação de jornalistas e de jornalismo. Foi e é! Onde é justo destacar o nome de Fausto Correia, herdeiro dos Sousas, mas também os Henriques e em tempos recentes Lino Vinhal, que deu a mão e tudo fez para que o projeto secular não findasse.
Por vezes, casualmente, em cafés ou restaurantes da nossa cidade encontro alguém a ler a última edição do jornal, como nos tempos idos em que a cidade tertuliava, tendo por mote os títulos saídos na imprensa, muitos dos quais, os advindos da redação do jornal que caminha para 108 anos de existência.
A antiguidade do jornal, a qualidade dos seus escritos, a fonte histórica que constitui para os estudiosos são um autêntico GPS jornalístico, uma marca de signos e sinais de respeito. Ele é o decano que nos guia e nos ensina, a cada nova edição, impressa ou digital, o sentido da renovação do ato de informar com qualidade e rigor.
Que a sua vida continue a ser longa e leve. E nunca faltem as forças a quem permite que sucessivas edições semanais nos surpreendam com as “cousas” de Coimbra e sua Região. Parabéns a esta força da natureza cuja voz ressoa através dos tempos, pugnando intransigentemente pelos seculares valores da liberdade, fraternidade e solidariedade.