31 de Outubro de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

Será A Última Carta?

30 de Outubro 2026

Eu gosto de escrever á mão. A minha amiga Virgínia também. Aqui lhes deixo a última carta, pois, eu pergunto-me muitas vezes de onde vem a minha mão que escreve. Hoje é trémula e já com dificuldade. A dela também.

Carta da Virgínia para o António

 

O tempo não tem tempo, passa com pressa pela nossa vida, que o ontem é no amanhã uma memória difusa da vida. A memória não é um travão para o tempo, mas é uma câmara lenta, que para mim que sou optimista, regista os momentos bons que a vida nos proporcionou. Lembro-me, por exemplo, de um manuscrito que me chegou on line, que eu não conseguia abrir… era um texto “assustadoramente” grande. Uma tese de doutoramento…

Imprimi (gosto de ler em papel) e li com atenção. Percebi que estava ali um livro carregado de emoções, humano e genuinamente real mas que não podia ser um livro. Que pena!

Mas se fizesse uma “selecção” retirando a componente académica (de interesse para historiadores e não para a colecção onde eu gostaria de o inserir) poderia ser um bom livro.

O António aceitou!

E foi!

Mas filosofias da vida aparte venho saber de si, da sua saúde. Há muito que não falamos.

Um abraço.

 

Carta do António para a Virgínia

 

 

Querida amiga

Não sabe quão feliz fiquei ao saber de si e ao ler as suas lindas frases. A boa escrita supera a minha angústia.

Encontro-me bastante doente. Mas para quê discriminar as suas facetas principais? A palavra chega.

Os psicólogos inventaram a escadaria da força de vontade. Ao longo da minha vida tantas vezes consegui o cimo! Hoje sinto-me a descer os degraus.

Quanto ao livro tenho pena que não tenha tido a apreciação que merecia. Ouve muitas pessoas que quiseram a história toda para eles.

Um beijo sentido. Até sempre. António.

 


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