Vêm soando por todo o universo escolar e pelas redes sociais o desconforto com a forma como o ensino é ministrado nas escolas portuguesas, tanto no que respeita à atitude comportamental dos alunos, dentro e fora da sala de aulas (indisciplina, desobediência, desinteresse e até afronta aos professores), como nos critérios avaliativos que, em muitos casos, esfumam o (in)sucesso escolar, tendo como suporte uma legislação fragmentada de alterações sobre alterações, como vem sendo apanágio dos nossos legisladores, ensarilhada em conceitos e contextos imbricados, difusos, cuja interpretação é adaptável a qualquer critério aleatório, tal é a teia de hipóteses à disposição do seu aplicador. Cite-se, ao acaso, um brevíssimo excerto de uma das normas da respetiva Lei: “…implica que seja dada às escolas autonomia para um desenvolvimento curricular adequado a contextos específicos e às necessidades dos seus alunos…” Que tal ?
Desta asserção comungam muitos dos elementos que integram o grupo “Dos professores e Educadores de Portugal”, exarando trechos como: “Nos últimos 25 anos tenho notado uma degradação substancial na qualidade da avaliação, fruto das regras e das imposições cada vez mais apertadas por parte do Ministério da Educação”; “Um professor no final do ano não pode chumbar nenhum aluno, mesmo aqueles que não trabalham nada durante o ano inteiro. Para lhes atribuir uma nota negativa o professor tem que justificar tantos parâmetros que seria humanamente impossível fazê-lo…”; Um doutorando em Psicologia, na sua tese escreveu: que “o insucesso na disciplina de matemática, na transição para o ensino secundário, entre as dificuldades reportadas pelos alunos encontram-se as associadas à falta de bases … e ainda ao ritmo acelerado das aulas e à dificuldade dos professores nas turmas numerosas”. Um outro professor escreveu: “A avaliação tem que levar uma volta de 180 gs. Portugal precisa de uma avaliação justa, rigorosa e honesta para que os nossos jovens adquiram os conhecimentos e competências para ingressarem no mundo do trabalho”; outro desabafa: “Há que dizer não. Atualmente odeio o meu trabalho…”,
Sendo o ensino a base estruturante de qualquer Estado civilizado, não pode o Ministério do pelouro conceder grande margem de autonomia às escolas, porquanto cada Direção fica assim liberta para aplicar a lei segundo critérios subjetivos.
Conclui-se, portanto, que o ensino em Portugal necessita de uma reforma radical que o dignifique e prestigie, com transparência de métodos e de critérios que não estejam balizados por exigências de uma estatística de mero pro forma…