22 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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João Pinho

O Outono que chega de mansinho

3 de Outubro 2025

Foi ainda no verão que surgiram os primeiros sinais do outono. No final de agosto, as folhas desprenderam-se das árvores, secas, vergadas ao estio, anunciando a transição estacional. Outras iniciaram o processo de mudança da cor, que vai pintando os campos com paletas únicas e originais, provindas do atelier de Deus.

No mundo rural, as adegas encheram-se de azáfama, limpando-se tanques e cubas. Foi o tempo das vindimas, anunciando boas colheitas de vinho e jeropiga, com graus elevados. Em breve provar-se-ão os néctares fermentados, talvez já acompanhados de castanhas trazidas da Beira Alta, assando uns chouriços e febras para acompanhar.

Mas o trabalho não pára. Limpam-se agora os terrenos, colhem-se figos e diospiros, e prepara-se o regresso a nova azáfama, desta vez o trabalho em torno das oliveiras, onde a azeitona já vai pintando, anunciando o varejar sobre os panais, que dará origem a outro néctar, aquele que por terras de Botão era considerado, no tempo de D. Manuel “o melhor que há no reino”.

Nas cidades a realidade é outra. Passado o estio, vêm as caminhadas, a utilização das ciclovias e jardins. Há que queimar as gorduras acumuladas durante o verão, enchem-se de gente, os parques infantis e geriátricos. As árvores, cada vez mais despidas, assistem a este rodopio, onde se incluem as últimas vagas de turistas que demandam Coimbra e Região, antes do domínio total do outono.

Em breve surgirão os dias nublados e ventosos, e as primeiras chuvas, e quiçá a neve nas terras altas. Por outro lado, já se sente o efeito das noites frias e da grande amplitude térmica, entre a madrugada e o pico do sol, não tardando as primeiras orvalhadas e geadas. Prepara-se a roupa para a transição, restando ainda uma porta aberta para os últimos raios de sol na praia, ao ritmo dos calções, das t-shirts, e dos sunsets.

Um tempo perfeito para as primeiras constipações e noites mal dormidas, num cenário bucólico que vai convidando à introspeção e convívio familiar, no recato do lar, ou em torno de uma chávena de café, nos espaços de sociabilidade. Tempo, também, de arruamações e escolhas, e de decisões quanto a destinos pessoais e profissionais.

Nas terras altas, onde a floresta ardeu a um ritmo impressionante durante o verão, é tempo  de limpeza dos matos ardidos, mas também de cautela. Nunca se sabe o que trará a nova estação, chuvas fortes podem ser sinal de grandes estragos, pelo que há que estar atento e aguardar, também, que os solos se regenerem.

A estação promete ser animada socialmente. Teremos eleições autárquicas em breve, com os candidatos a percorrerem as adegas e tascas na busca dos votos, animando os nossos lugares. Entretanto, recomeçaram as vidas profissionais e o regresso às aulas, com milhares de alunos a encherem as escolas, para sossego de muitos pais.

É o outono que chega de mansinho, e a vida que segue…


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