24 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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Sansão Coelho

NATAL COM MÚSICA NO DESPERTAR MACHADO SOARES CANTA FERNANDO PESSOA

23 de Dezembro 2025

O leitor vai prometer-me que irá ler este meu texto acompanhando a canção de matriz coimbrã, intitulada NATAL, na voz de Fernando Machado Soares. A poética é de Fernando Pessoa. Vai encontrar a canção em:

https://www.youtube.com/watch?v=lDmXszychyY

Vá escutando a canção que começa com o guizalhar dos sinos. Repenicam num tom dolente, comovente, apelativo, mas dando-nos a viver o ambiente natalício. A música instrumental é tocada por Ramon Galarza. Há um coro celestial com as vozes delicadas e doces de crianças e jovens. Solta-se, num ar de sentimentalidade, a voz de Fernando Machado Soares, como solista. Reproduz Pessoa-poeta com a imagem da neve pela província cheia de tradições nesta época de festa da família que se deve unir sempre e fortemente no Natal. Lares aconchegados. Neste presente estão representações do que se vivia. O passado. O madeiro arde no adro. A missa do galo. A fraterna presença de todos aconchegados nesta ambiência que a época proporciona. Ouvimos a música e a voz que nos sensibilizam: estamos a viver nataliciamente. Por Coimbra, pela Figueira, pelas cidades da nossa região há o colorido festivo dos adereços natalinos, mas, aqui ou pelo Portugal profundo, pela província, há neve, e, às vezes, solidão; e muita falta de coesão neste país verde rubro.

Voltam os sinos a tilintar. A importância da família adensa-se neste tempo de Natal. Contudo, o poeta, pela voz do cantor, expressa pensamentos evocando a saudade que nos leva melancolicamente à solidão. A neve cai. E são tantos os conimbricenses, os beirões e os portugueses que vivem sós, e não só quem está na província profunda. São poucos os apoios e pouca ou nenhuma a companhia humana. Nostalgia. E o sentimento agre de quem não tem uma família neste tempo de encontros e reencontros familiares. Há, infelizmente, corações opostos ao mundo.  Solidão ainda mais sensível, temida, penetrante e cortante nesta época de Natal, seja na cidade ou nas aldeias recônditas. Atualmente, na província despovoada ou a caminhar para um deserto populacional, até escolas primárias encerraram e outras deram lugar a lares de terceira idade. Tanta gente em solidão e a sonhar saudade.

Branca de graça é a paisagem dos últimos dias e há quem esteja, apenas, a espreitar a vida para além da vidraça perdendo oportunidades de uma comunhão plena com o Outro, sendo-lhe negada uma eficaz socialização. Muitos, nunca terão o lar sonhado. A canção está quase a terminar, mas fica a sua mensagem na nossa memória afetiva:  bom seria que pudesse inundar os corações dos portugueses.

Desejo aos nossos leitores que meditem neste belo poema pessoano (NATAL) e nesta bela canção coimbrã servida pela voz de Machado Soares. Peço-vos que anulem solidões, e se esforcem por fazerem dos Amigos uma família – e da Família um exercício de transparente e sólida verdade e apoio. Vamos acolher todos aqueles que sofrem com dores de solidão.

BOAS FESTAS e, já agora, ofereçam, além de amizade, música de Coimbra: é um belo presente de Natal.

Nota: Desejo que tenha lido este texto acompanhando a canção NATAL.

 


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