31 de Outubro de 2026 | Coimbra
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Sansão Coelho

HÁ DORES DE ESPANTO

30 de Outubro 2026

Ai que dor! Há dores e dores e há dores muito difíceis de suportar, o que respeito.

Saibam que o Dia Nacional da Luta Contra a Dor é, por norma, assinalado na terceira sexta-feira de outubro e realizou-se, este ano, no passado dia 16. Por isso, tenho uma história para vós.

A dor é uma sensação ou perceção emocional desagradável e há dores agudas de breve duração e dores crónicas que são as que se prolongam. Longe de mim formular definições eminentes pelo que peço desculpa aos especialistas por estar a escrever num tom informal e quase coloquial acerca da dor.  E peço desculpa especial aos leitores que tenham sofrido com dores ou que estejam a tê-las. Trago, como refrigério, especialmente para quem está com dores, uma história em que constatamos que a dor pode afetar todos nós, inclusivamente os que nos tratam das dores.

O médico, Professor Doutor ANSELMO CARVALHAS, partiu em 2013, foi um dinâmico Presidente da Direção da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra. No plano da medicina o Professor Anselmo foi um dos pioneiros da moderna Anestesiologia em Portugal, do Tratamento da Dor e do Parto sem Dor, tendo feito especializações em Inglaterra, Dinamarca e Suécia. Tive o privilégio de integrar a direção dos Antigos Estudantes presidida por este conceituado Professor que procurava fazer das nossas reuniões um encontro coloquial com um quanto baste de espírito académico e boa disposição. Nessa época, a sede era no Largo da Portagem e aí reuníamos no tempo quente, mas em época invernosa o nosso Presidente sugeria a sessão à volta de um café, no ambiente calmo do lobby bar do Hotel Melia, atualmente denominado Coimbra Aeminium. Tendo uma presença regular, o Professor ANSELMO, num certo período, faltou às reuniões, e tivemos conhecimento que tinha sofrido um problema de saúde e estava internado numa unidade hospitalar, fora de Coimbra, presumindo-se que não seria um quadro preocupante.  Quando o Professor regressou todos quisemos saber da sua saúde e se estava recuperado. Perante este mar de saudações e manifestações, o Professor Anselmo escutou atentamente as nossas preocupações, os votos de boa saúde e de franca recuperação, após o que faz um silêncio quase interrogativo e, pausa feita, formula uma pergunta catedrática com subtil profundidade: sabem qual foi a minha especialização? Sabemos, sim, Senhor Professor – respondemos – foi no Tratamento da Dor.   Nova pausa e eis que replica, mais ou menos nestes termos e com um sorriso de quem nos apanha desprevenidos: pois é, meus amigos, nem imaginam as dores que eu tive enquanto estive internado. Foram dores insuportáveis…nunca pensei que se sofresse tanto com dores. Ouvimos, estupefactos, e ficou retido um F.R.A. que preparávamos para soltar pela saúde do Professor Anselmo, o que não admira, pois, sofremos todos, subitamente, uma… DOR DE ESPANTO.

 

ÊXITO NO SEXTO TRIBUTO A JOSÉ AFONSO

O Sexto Tributo a JOSÉ AFONSO, no último sábado, em Coimbra, numa iniciativa da APOJOVI e APOSENIOR, foi de êxito numa sessão recebida em apoteose. Ao longo da tarde foi revisitado no auditório do ISCAC o consagrado cantor e autor cujas músicas parecem estar cada vez mais atualizadas na poética e que foram apresentadas com esmero e sublime mestria pelos executantes presentes. ZECA é eterno e os membros da Universidade Sénior de Coimbra cultivam-no de forma sadia e regular com um grupo de canto. Sob a direção do maestro Lino Freitas, o GRUPO DE CANTARES DO ZECA, neste espetáculo, atravessou fases, e “estações”, e encantou entre o Coro da Primavera e a Balada de Outono.  Seguidamente, escutámos MAFALDA CAMILO, uma das melhores vozes que encontrei nos tempos recentes e tem a chancela do Curso Complementar de Canto do Conservatório. Que encanto!!! E superiormente acompanhada por JOSÉ REBOLA, nome forte na música contemporânea e a integrar os multifacetados ANAQUIM. Ambos pertencem à Academia de Música de Coimbra que desenvolve um trabalho notável. Formação de referência, o Grupo de FADOS RAÍZES DE COIMBRA demonstrou a excelência a que nos habituou integrando dois antigos instrumentistas de Zeca:  os virtuosos Rui Pato e Octávio Sérgio; e também, na mesma linha, Humberto Matias, Paulo Almeida e Simão Mota com as vozes de Heitor Lopes, Mário Rovira e Nuno Montalvo. Foi um tempo sublime, quase a encerrar a tarde porque o fecho da festa foi com o público a cantar MILHO VERDE, tema resgatado do Cancioneiro tradicional, evocação das mondadeiras, traços de inocência e desejo proibido na letra e a metáfora da celebração da liberdade. Flores naturais e outras em artístico trabalho de estanho, saído de mãos talentosas, encheram o palco de gratidão para com os participantes, flores entregues por Filomena Roque Vaz e Sílvia Gameiro, respetivamente, presidente e vice-presidente da associação organizadora.

 


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