4 de Julho de 2026 | Coimbra
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Sansão Coelho

FESTAS FELIZES, AMADA COIMBRA

3 de Julho 2026

Olho à minha esquerda e perscruto o MONTE DA ESPERANÇA onde se encima o Mosteiro novo de Santa Clara acolhendo, fisicamente, o corpo da mestra da Ordem Espiritual de Portugal, RAINHA SANTA ISABEL. A augusta presença da veneranda Rainha enche Coimbra de solidariedade e humanismo. 4 DE JULHO. Pressinto a oratória da sua chegada ao largo da Portagem, aclamando as suas virtudes, relembrando que é, e sempre será, a RAINHA DA PAZ. Irão falar das guerras que ensanguentam e esventram vários países, o sofrimento mundializado.  Estou no Miradouro do Vale do Inferno cujo nome não reflete o endeusamento que lhe conferem pela sua privilegiada localização, na antiga estrada de Lisboa. Daqui posso vislumbrar o estralejar dos foguetes, a tonalidade feérica calendarizada para estes primeiros dias do soalheiro julho, em anos pares. Há um perfume discreto de pequenas rosas, fragâncias suaves e solenizadas, minudências florais, ricas em simbolismo, das que caem, pela lenda, de um regaço que acolheu pobres, doentes, órfãos e inválidos. O Mondego espreguiça-se até ao Açude-Ponte. Sobre as águas, agora tranquilas, há reflexos coloridos da Ponte de Pedro e Inês. E um jato de água propulsionado da corrente do pátrio rio parece contrariar a sua pacatez de veraneio. É um fluxo com a força do amor que Pedro dedicou a Inês, pressinto-os enlaçados na setecentenária Quinta das Lágrimas. Estas lágrimas, estão a vê-las, ali? protegem e lubrificam todo o misticismo de Coimbra. Histórias, lendas, tradições. A Torre, a Porta Férrea, o futurista IParque mais à frente, nesta estrada, em Antanhol. Rememoro vozes dos lentes e dos estudantes, de todos os que cantam fados e canções ou dedilham as guitarras em forma de coração. Recordo, quando dava corda ao gramofone para escutar, com aquela areia em fundo num disco de 78 rotações da marca Columbia, Lucas Junot a cantar o fado de Santa Clara e emociono-me vertendo também uma discreta e irreprimível lágrima, esperando que me ouçam. E alguém ouviu:

 

“Eu ouvi de Santa Clara

Gemidos de alguém que chora

Era a Rainha pedindo

Por mim a Nossa Senhora”

 

A minha memória musical cruza-se agora com um fado do poeta, compositor e cantor,

Ângelo de Araújo. Oiço o seu trinar e pelo que canta sinto bravos ciúmes do nosso rio pela forma como seduz Santa Clara e desejo que me deixe, para mim, para todos nós, um incorrigível e sempiterno enamoramento por Coimbra no seu todo, de Santa Clara a Celas e até aos Olivais. Paixão eterna – juro! -, por esta cidade do Conhecimento, cidade da Família, cidade da Alegria, cidade da Saúde, esta última caraterística conferida por Dona Isabel de Aragão que chegou até nós trazendo no seu séquito talentosos acompanhantes, sapientes especialistas na área das ciências da vida.E eis, Ângelo de Araújo, a ouvir-se:

 

“Santa Clara, Santa Clara

A teus pés corre o Mondego

A namorar-te em segredo

Minha linda Santa Clara”

 

Deixemos que o Mondego namore Santa Clara, pelo menos nestes dias festivos.

Ao fundo, o frondoso Choupal, e sob a nova ponte da Rainha, a bucólica Lapa dos Esteios de famosas tertúlias em tempos idos. Em frente, a Alta e a Baixa, do lente ao operário, uma Coimbra bilhete-postal, verdadeiramente deslumbrante.

Afasto-me um pouco para ver o painel de azulejos, colocado no muro do Miradouro, a identificar esta encantadora vista. Vou abraçar o painel como quem abraça Coimbra. Sofregamente. Quem me dera estar sempre contigo, Coimbra. Para sempre, Coimbra. Solto o que me vai na alma e no coração, esta paixão imorredoira pela minha cidade, ou melhor, pela nossa cidade. E tu, Coimbra, és e serás sempre a capital do Amor, dos amores vários, em Portugal.

Festas Felizes, Coimbra.

 


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