A associação Bengala Mágica comemorou o seu nono aniversário no passado sábado (24), em Coimbra, sob o mote “9 anos a construir caminhos que se cruzam”, com o anúncio da abertura de um polo na cidade, fruto de uma parceria estabelecida com a Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. O novo espaço pretende reforçar o apoio a crianças, jovens com deficiência visual, respetivas famílias e profissionais na Região Centro.
Fundada em 2017 em Lisboa por um grupo de pais, a associação Bengala Mágica, que completa nove anos de apoio e solidariedade, tem agora como objetivo alargar a sua intervenção geográfica a partir de Coimbra, cidade com a qual sempre manteve laços desde a sua génese.
O convite para a criação do polo partiu, há cerca de seis meses, de Tiago Mariz, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra e também associado da coletividade enquanto pai de uma jovem com deficiência visual. Com a disponibilização de instalações por parte da instituição, nomeadamente no antigo seminário dehoniano, a associação prepara-se para avançar com uma comissão executiva composta por pais e profissionais da região.
O projeto assenta em duas vertentes principais: o apoio direto aos familiares e a capacitação da comunidade, em particular dos professores e técnicos que acompanham os jovens.
“Quando nasce uma criança ou quando é diagnosticada uma criança com deficiência visual, nunca nos podemos esquecer que também nasce uma nova família e a família tem que ter uma capacitação para poder dar uma resposta efetiva às crianças”, salienta Dídia Lourenço, presidente da direção da Bengala Mágica, sublinhando o objetivo de naturalizar a deficiência visual. “Queremos que os nossos filhos sejam crianças quando são crianças, jovens quando são jovens e adultos quando são adultos e para isso têm que ter uma resposta adequada para poderem desenvolver todo o seu potencial.”
Do lado da Santa Casa da Misericórdia, Tiago Mariz destaca a importância de colmatar as lacunas de apoio após a interrupção precoce, fase em que as crianças entram no ensino regular. “A partir dos seis anos, os miúdos entram no ensino. E a ideia é as pessoas com deficiência hoje serem integradas no ensino regular, mas para isso é preciso haver apoios. Apoios de retaguarda, com recursos, com mecanismos, com formação específica e apoios depois na sala de aula ou apoios diretamente direcionados aos professores”, sublinha.
O provedor reforça ainda a vocação de Coimbra como cidade ligada à educação e aponta para a ambição de criar cursos de formação especializada na área do ensino especial, com particular incidência na deficiência visual e em articulação com outras entidades da região.
Resposta de âmbito nacional a partir do Centro
Embora a nova estrutura física reforce a proximidade com o público da zona Centro e Norte do país, a Bengala Mágica mantém o seu estatuto de associação de atuação nacional, sendo atualmente a única no país fundada por pais com este âmbito de intervenção.
Atualmente, a associação apoia centenas de associados e contabiliza dezenas de famílias acompanhadas diretamente através de ações concretas e projetos regulares, como as atividades na área da música.
Com o novo polo em Coimbra, a instituição pretende dar continuidade ao seu modelo de proximidade, garantindo respostas céleres a quem procura orientação nas áreas do braile, da mobilidade e das tecnologias de apoio.