Eu gosto de escrever á mão. A minha amiga Virgínia também. Aqui lhes deixo a última carta, pois, eu pergunto-me muitas vezes de onde vem a minha mão que escreve. Hoje é trémula e já com dificuldade. A dela também.
Carta da Virgínia para o António
O tempo não tem tempo, passa com pressa pela nossa vida, que o ontem é no amanhã uma memória difusa da vida. A memória não é um travão para o tempo, mas é uma câmara lenta, que para mim que sou optimista, regista os momentos bons que a vida nos proporcionou. Lembro-me, por exemplo, de um manuscrito que me chegou on line, que eu não conseguia abrir… era um texto “assustadoramente” grande. Uma tese de doutoramento…
Imprimi (gosto de ler em papel) e li com atenção. Percebi que estava ali um livro carregado de emoções, humano e genuinamente real mas que não podia ser um livro. Que pena!
Mas se fizesse uma “selecção” retirando a componente académica (de interesse para historiadores e não para a colecção onde eu gostaria de o inserir) poderia ser um bom livro.
O António aceitou!
E foi!
Mas filosofias da vida aparte venho saber de si, da sua saúde. Há muito que não falamos.
Um abraço.
Carta do António para a Virgínia
Querida amiga
Não sabe quão feliz fiquei ao saber de si e ao ler as suas lindas frases. A boa escrita supera a minha angústia.
Encontro-me bastante doente. Mas para quê discriminar as suas facetas principais? A palavra chega.
Os psicólogos inventaram a escadaria da força de vontade. Ao longo da minha vida tantas vezes consegui o cimo! Hoje sinto-me a descer os degraus.
Quanto ao livro tenho pena que não tenha tido a apreciação que merecia. Ouve muitas pessoas que quiseram a história toda para eles.
Um beijo sentido. Até sempre. António.