A Ordem dos Engenheiros (OE) defendeu que a construção da barragem de Girabolhos, entre Nelas e Seia, é uma medida urgente e um “elemento complementar indispensável” ao sistema da Aguieira para garantir a gestão hídrica e a segurança da bacia do Mondego.
A organização profissional saudou a decisão do Governo em manter o projeto aguardado há várias décadas, na sequência de um relatório técnico entregue ao executivo após os episódios de cheias devastadoras registados no início do ano.
Segundo a análise da OE, o sistema atual encontra-se esgotado, tendo o recente galgamento e rutura do dique do leito central do Mondego evidenciado a incapacidade da Aguieira para lidar sozinha com caudais extremos. O parecer técnico recomenda que a Aguieira passe a operar com folga de armazenamento reforçada, mantendo cotas mais baixas para absorver afluências súbitas de água, o que, de forma isolada, comprometeria o abastecimento em períodos de seca subsequentes. É precisamente nessa articulação que a nova infraestrutura de Girabolhos surge como solução estratégica para reter caudais e assegurar reservas.
Além do controlo imediato de intempéries, a Ordem dos Engenheiros enquadra a obra como uma adaptação prioritária às alterações climáticas e ao previsível agravamento de fenómenos meteorológicos opostos, como cheias violentas e secas prolongadas.
A organização reforça que a barragem viabiliza o funcionamento resiliente de todo o complexo hídrico do Mondego, conjugando a proteção das populações a jusante com a garantia de água para consumo público, agricultura e ecossistemas locais.