31 de Julho de 2026 | Coimbra
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Martinho

A PRAÇA DA EUROPA E OS SEUS ADEREÇOS

31 de Julho 2026

Realizou-se no passado dia 11 de julho de 2026 a inauguração da anunciada Praça da Europa, tendo como frontispício a Estação Ferroviária de Coimbra B, à retaguarda e na ala lateral direita um muro de suporte, em forma de talude, que delimita, unilateralmente, a rua Dr. Manuel Almeida e Sousa, antiga EN nº 1, do qual pendem várias dezenas de paliçadas (barreiras de madeira que resguardaram o estaleiro da construção da sede do banco belga Crédit  Communal, em 1974/75, armadas por carpinteiros).

O sr. Paul Gobert serviu-se de tais sobrantes para lá estampar ou reproduzir uma enigmática “arte urbana” (figuras absortas), projeto que, segundo ele, foi pioneiro de “Street Art” (arte de rua?) e que, a nosso ver, não se enquadra no contexto do todo envolvente, nem na verdadeira cultura artística portuguesa, até porque nem sequer é decifrável pelos olhos dos curiosos cidadãos, e que, como refere um ilustre historiador e professor da Universidade Nova de Lisboa, “chamem-lhe o que quiserem, mas arte não é de certeza”!!!

A sua análise sintética, não prende a atenção de quem aborda aquela Praça. Claro que os gostos não se discutem e, portanto, não se devem cercear, mas uma obra pública “tão encomiástica”, deveria corresponder à satisfação da maioria da opinião pública, o que não soa na mente de grande parte dos seus visitantes, e nem sequer aos pintores de paredes, comboios, monumentos nacionais, cuja especialidade é degradar o património com as suas pinceladas.

Voltando à liça da Praça da Europa, cuja razão toponímica não conseguimos decifrar e, portanto, interrogámo-nos sobre qual a motivação do espaço, o que representam aquelas paliçadas e as figuras nelas estampadas e penduradas, tipo ornamento dos jardins de infância, a arte da sua exposição desalinhada e qual a necessidade de recorrer a um colecionador de taipas belgas, desqualificando os verdadeiros artistas lusitanos, com a agravante de terem exportado recursos financeiros para o estrangeiro, cujos réditos reverteriam para compensar os subsídios com que se alimentam os artistas nacionais.

Se, de facto, vivemos num regime democrático e descontamos para o município impostos sobre impostos, tais como: IMI, IMT, Derrama, 5% do IRS, taxas municipais, transferências do Estado e de Fundos Europeus, etc., temos o legítimo direito de saber qual o montante dos encargos que suportamos com o transporte, montagem e os honorários do autor /reprodutor belga.

Aquele singelo ato da inauguração da Praça e das paliçadas revestiu-se de uma cerimónia desproporcional ao seu merecimento e ao discurso panegírico de circunstância, dirigido a todas as entidades gradas e presentes, cá da terra – e onde marcou pela sua enigmática presença a ilustre. dignitária do Município -, que emocionadas, bateram palmas e regozijaram-se com o que contemplavam. Todavia, aquela cerimónia, objetivamente considerada, foi escandalosamente prematura, porquanto ainda ocupava vários trabalhadores, em plena atividade, facto que nos incitou o atrevimento de lhes perguntarmos se a aquela Praça ainda não estava concluída, ao que nos informaram, exclamando, que só lá para meados de setembro.

Confirmámos então que a exceção à regra se inverteu, porque o ato de antecipação da inauguração era, afinal, comum a quase todas as obras públicas portuguesas que conhecemos – , e de que a inauguração espaçada de pequenos troços do Metrobus é um pertinente exemplo. Será para despertar o ânimo de quem espera, há mais de 30 anos, por um meio de transporte ferroviário interurbano, e que por artes do demónio sinecurista, e de outras tentações, se converteu num “Metropneus”?

(Cfr. fotografias)


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