22 de Maio de 2026 | Coimbra
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Sansão Coelho

A QUEIMA

22 de Maio 2026

Ponto alto na QUEIMA DAS FITAS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA o CORTEJO DOS QUARTANISTAS, a realizar neste domingo, recebe o apoio e os aplausos de muitos familiares dos estudantes e da cidade em geral. Nos últimos anos o Cortejo tem crescido no número dos carros engalanados. Juntando as Faculdades da Universidade, o Politécnico e outras Escolas superiores, o CORTEJO é uma grande festa. Permitam-me sugerir, ou antes, lembrar que a Praxe também envolve a festa e, além disso, é necessário agarrar os sorrisos e aplausos de quem assiste em vez de atitudes de afastamento, e algumas, em anos anteriores, foram decepcionantes como, por exemplo, o regar o público que está a assistir e ladeia o cortejo, com o esguichar de garrafas de cerveja. Tenho a ideia de que já há uma maior consciência de prevenção da alcoolização dos participantes. Não somos paternalistas, mas é um facto de que uma festa não se pode transformar num exercício de excesso de álcool levando alguns aos hospitais e já houve casos de coma alcoólico. Devo dizer-lhes que estive alguns anos na Direção da Associação dos Antigos Estudantes e sempre procurei que fossem promovidas ações de sensibilização para uma QUEIMA DAS FITAS como sadia festa dos estudantes baseada em amizade e fraternidade e com elevado sentido de responsabilidade cívica. A Academia de Coimbra costuma ser um exemplo do adotar de grandes valores o que certamente irá continuar neste domingo: BOA E FELIZ QUEIMA PARA TODOS OS ESTUDANTES.

O TRAJE ACADÉMICO

Lamento que em vez de ser usada de forma regular, no quotidiano, como forma de democratização, a capa e batina apareça quase só nestes dias de festa. Podem observar que durante esta fase de realização da Queima  muitos estudantes com o traje académico, contudo, na maioria dos casos, é um traje impecável que pode indiciar pouco uso. Seria giro reverter a situação. Não digo capa e batina sempre, mas é preciso que apareça mais vezes nos bancos da Universidade, nas ruas de Coimbra e até no país.

 

JOÃO ABEL MANTA E O TRAJE ACADÉMICO

Sempre senti um especial fascínio pelos painéis que podemos observar na parede exterior das instalações académicas, do lado da Sá da Bandeira, e antes da entrada para o Teatro Académico de Gil Vicente. Estes painéis representam a evolução do traje académico, no início do século XIV, então quase um traje eclesiástico, até ao aproximar da atual capa e batina. É um trabalho que se lê como evolução, progresso e mudança de autoria do notável pintor, arquiteto, cenógrafo e cartunista JOÃO ABEL MANTA falecido, recentemente, aos 98 anos. João Abel Manta realizou trabalhos inesquecíveis em que dava conta da situação político-social no nosso país antes e depois de Abril, saídos em várias publicações e em diversas exposições nacionais e internacionais. Foi um forte opositor à Ditadura. A Cultura portuguesa perde um dos seus vultos.  Recorde-se que João Abel Manta e Alberto Pessoa foram os arquitetos das instalações-sede da Associação Académica de Coimbra.

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Hoje termino com um forte abraço aos leitores de O DESPERTAR. Façam o mesmo, caros leitores, porque hoje é o DIA DO ABRAÇO.

 


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