29 de Setembro de 2020 | Coimbra
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CLARA CORREIA

Vejo o mundo da minha janela…

15 de Maio 2020

O telefone tocou numa simpática manhã de teletrabalho… era a nossa Diretora. Atendi, com um sorriso no coração, e disse: “Como está, Zilda?” A Zilda, surpreendida, elogiou aquela minha alegria em tempos tristes. Estou, como todos os portugueses, preocupada com o que estamos a viver, e unida na responsabilidade pessoal e coletiva de cuidarmos muito da nossa saúde. Se me perguntarem se gosto de estar de “residência fixa” na casinha da Praceta, a minha resposta é… NÃO! Apesar disso tento tirar o melhor partido possível deste “confinamento”. De segunda a sexta-feira trabalho com um ritmo semelhante ao “normal” e mantenho algumas rotinas como por exemplo tomar um café com os colegas de trabalho, no início da manhã. É verdade que este café é agora remoto, mas também ele é saboroso. Trabalho num quarto que me faz recordar a minha juventude e tenho à minha frente uma janela gigante que me permite acompanhar o dia-a-dia dos meus vizinhos. De um modo particular acompanho, à distância e perto, os dias dos meus queridos padrinhos que tenho a felicidade de ter como vizinhos! No meu quarto-escritório tenho também a companhia de uma linda e jovem bicicleta que cada dia tem mais saudades do nosso futuro: belos passeios na marginal da Figueira da Foz! Quando o trabalho termina viajo para outro quarto onde me encontro todos os dias com a minha querida guitarra. O treino diário de guitarra clássica é feito à varanda, e duas vezes por semana tenho uma aula remota. Já bati todos os meus records de estudo de guitarra (diário, semanal, mensal, etc.). Já sonho que quando sair de casa apenas pararei no Coliseu dos Recreios de Lisboa!!! A guitarra é a minha grande companheira diária, nestes dias em que a linda raqueta de padel chora com saudades do futuro: jogos e torneios, mais jogos e mais torneios. “Falta menos um dia!”, digo-lhe eu à hora de dormir! Nenhum dia termina sem me encontrar nas páginas do meu diário, onde a linda canetinha japonesa regista as letrinhas que o coração da Clarinha liberta nestes tempos… sonhos, projetos, mais sonhos e mais projetos! Tenho agora um novo estilo de escrita, sem parágrafos, para poupar linhas do meu caderninho… Quando o fim de semana chega a alegria é ainda maior porque tenho mais tempo para ler, ir a concertos (remotos), ir ao cinema (remoto). fazer desporto (na Praceta) e tocar as cordas da minha guitarra. Muitos anos depois é com um sorriso no coração que digo… vejo o mundo da minha janela!


  • Diretora: Zilda Monteiro

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