18 de Abril de 2024 | Coimbra
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Universidade de Coimbra vive momentos altos no 733º aniversário

3 de Março 2023

No Dia da Universidade de Coimbra (UC), que completou 733 anos de existência na quarta-feira (1), foram vários os pontos altos que marcaram a vida académica da cidade.

Amílcar Falcão, reeleito Reitor pelo Conselho Geral da UC a 6 de fevereiro, defendeu durante o seu discurso de tomada de posse, na Sala dos Capelos, a integração da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra na instituição, notando as sinergias “já evidentes” entre as duas entidades.

“Li com especial agrado as declarações do senhor presidente da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, sobre a defesa da integração da sua instituição na UC que, diga-se, corresponde a um sentimento recíproco”, afirmou.

Para o Reitor, que assumiu o seu segundo mandato à frente da UC, “as sinergias entre as duas entidades são já hoje evidentes”, apontando para o exemplo do doutoramento em enfermagem, “que teve o seu início neste ano letivo, e com ocupação total das vagas disponibilizadas”.

Durante o discurso, Amílcar Falcão referiu que a instituição quer avançar com a expansão do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) e a construção da subunidade 2+4 da Faculdade de Medicina, obras que deverão ser acompanhadas pelo arranjo exterior do Polo III.

“Com a conclusão do UC Biomed, a expansão do ICNAS e a instalação definitiva de toda a Faculdade de Medicina no Polo III, a própria proximidade geográfica irá alavancar toda a investigação biomédica e clínica, reunindo condições difíceis de encontrar, mesmo à escala global”, destacou.

Com o objetivo de consolidar a UC como uma universidade de investigação, Amílcar Falcão sublinhou que o valor agregado de projetos e atividades daquela entidade passou de 100 milhões de euros em 2015 para 360 milhões de euros em 2022, esperando que o financiamento para investimento “não andará longe do dobro” daquele que registou no mandato passado.

Na sua intervenção, o Reitor avançou ainda com o anúncio da criação de um ‘Cultural Hub’, que pretende agregar as valências de produção artística, capacitação de públicos, de investigação aplicada às artes e de captação de financiamento competitivo na cultura, recordando a integração do Colégio das Artes na Rede Portuguesa de Arte Contemporânea e do Teatro Académico Gil Vicente na Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses.

Num campo local, Amílcar Falcão frisou a importância do campus criado pela UC na Figueira da Foz, esperando que, no espaço de três anos, aquela estrutura “seja já uma peça importante” para a instituição e que, no final da década, “se torne imprescindível”.

Alerta para perigo de “tempestade perfeita” no ensino superior

O Reitor da Universidade de Coimbra (UC) considerou ainda que as várias alterações que se preconizam no ensino superior poderão levar à criação de “uma tempestade perfeita” no setor.

A alteração da fórmula de financiamento das instituições de ensino superior, cuja intenção já foi tornada pública pelo Governo, é “um assunto de enorme sensibilidade, porque se cruzam ao mesmo tempo variáveis que convergem para uma tempestade perfeita”, alertou.

Para essa “tempestade perfeita”, o Reitor chamou a atenção para vários fatores, como a crise financeira “provocada pela guerra na Ucrânia ou a entrada no inverno demográfico anunciado”.

Amílcar Falcão apontou também para “o problema do emprego científico”, que apesar de ser “apoiante incondicional” da medida, está “expectante” sobre o que irá acontecer quando se aproximarem os momentos de término ou renovação dos contratos, que poderão criar “um hiato geracional que dificultará a entrada de sangue novo no sistema”.

O processo de criação dos laboratórios colaborativos, as alterações legislativas que permitem aos politécnicos passar a conferir o grau de doutor, ou a revisão do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior (RJIES) – que irá “alterar em casca muitos outros diplomas legais” – são outros fatores que contribuem para essa tempestade, apontou.

“Acresce a tudo isto a desregulação existente no nosso país relativamente à distribuição geográfica das instituições de ensino superior”, frisou Amílcar Falcão.

Para além desse alerta, o Reitor da UC defendeu ainda um maior apoio da tutela e um reforço de verba no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para poder ter mais meios para requalificar o seu edificado.

Recordando o episódio recente em que uma estrutura de betão do edifício das Cantinas Azuis colapsou, Amílcar Falcão referiu que está a ser feito um levantamento exaustivo dos problemas estruturais nos edifícios.

“Se andamos a recuperar edificado com séculos de existência, importa lembrar que, no Polo I [na Alta de Coimbra], existem também muitos edifícios em fim de vida, diariamente utilizados por milhares de pessoas”, notou.

Amílcar Falcão foi reeleito pelo Conselho Geral da Universidade de Coimbra, não tendo tido qualquer opositor no processo eleitoral. A equipa reitoral do segundo mandato conta com seis vice-reitores (Luís Neves, Delfim Leão, João Ramalho, Alfredo Dias, Cristina Albuquerque e João Nuno Calvão da Silva) e cinco pró-reitores (Paulo Peixoto, Patrícia Pereira da Silva, Gabriela Fernandes, Nuno Mendonça e Filipa Godinho).

Leonor Beleza distinguida com o Prémio Universidade de Coimbra

A presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, foi distinguida com o Prémio Universidade de Coimbra, pelo seu “apoio ao desenvolvimento das pessoas, das famílias, das empresas e das comunidades”. O prémio foi entregue na quarta-feira (1), Dia da Universidade, durante a sessão comemorativa do 733º aniversário da UC, após a tomada de posse do reitor.Leonor Beleza é advogada, jurista e Conselheira de Estado e nasceu no Porto, em 23 de novembro de 1948. É licenciada em Direito e durante a sua atividade profissional exerceu cargos públicos e privados de destaque, como secretária de Estado da Presidência do Conselho de Ministros (1982-1983), secretária de Estado da Segurança Social (1983-1985) e ministra da Saúde (1985-1990). Eleita deputada do Parlamento em diversas ocasiões, foi vice-presidente da Assembleia da República nos períodos 1991-1994 e 2002-2005. É presidente da Fundação Champalimaud desde a sua criação, em 2004, por desígnio do seu fundador António de Sommer Champalimaud.“A nossa premiada deste ano é, por isso, um exemplo ím­par de dedicação a causas tão estimadas pela UC como a saúde, a investigação científica e a partilha de conhecimen­to pela sociedade. Para além disso, é igualmente um mode­lo de empenho em prol da inclusão e da igualdade, valores igualmente caros à mais antiga Universidade do nosso país”, referiu Amílcar Falcão.


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