14 de Outubro de 2019 | Coimbra
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Uma Casa, Uma Causa – Casa dos Pobres de Coimbra: olhar o futuro com esperança

13 de Setembro 2019

(continuado da edição anterior)

Por Margarida Mano

De entre todos, ainda que sob pena de ser injusta por omissão, destaco Aníbal Duarte de Almeida, presidente da Casa dos Pobres de 2004 a 2015, homem generoso, conhecido pela sua entrega a Coimbra e às causas sociais. Fundador de “Os Românticos”, convocava com poesia a cidade para a sua causa, colocando à mesma mesa os que mais necessitam e os que sentem o ímpeto de contribuir. Aníbal Duarte de Almeida, que nas minhas memórias de infância era o amigo do meu avô, foi o rosto da deslocalização da Casa dos Pobres das instalações da Baixa de Coimbra para a sua S. Martinho do Bispo, a freguesia onde nasceu e a cujos destinos presidiu durante muitos anos.

Uma casa ao serviço dos pobres, onde por natureza de missão as receitas são inferiores às despesas, e que coloca o seu destino e a sua ambição na “reunião de boas vontades” – a tal mútua colaboração de que fala o Papa Francisco – é uma casa que vive para a cidade e dela depende. É essa a força da Casa dos Pobres.

A instituição trabalhou durante 70 anos para conquistar e realizar o sonho das novas instalações. Das instalações originais no Pátio da Inquisição passou, em 2001, para a Praça do Comércio, e em 2011 conseguiu concretizar esse sonho em S. Martinho do Bispo, para as quais contribuiu com um milhão de euros (num total de 1,6M), angariados durante vinte anos com o trabalho e a generosidade de muitas pessoas.

Hoje, os desafios não desapareceram e a lista de pedidos de mais de 400 pessoas carenciadas é disso indicador.

Portugal enfrenta problemas graves de envelhecimento da população. Segundo o livro “Envelhecimento e Políticas de Saúde” (https://www.ffms.pt/publicacoes/detalhe/2696/envelhecimento-e-politicas-de-saude), somos o sexto país mais envelhecido do mundo – o que, associado às taxas de pobreza, levanta preocupações relativamente a uma fatia grande da população. O trabalho da Casa dos Pobres é reconhecido neste âmbito, a atenção às pessoas que nela vivem é valorizada pelos mesmos e pelas famílias e também por isso foi a instituição agraciada com a medalha de ouro da nossa cidade. Mas atenção! O combate à pobreza e à exclusão exige mais do que um gesto avulso de altruísmo, que nos afaga o ego, sem compromisso. É preciso mais, muito mais!

À altura da nobreza da missão, a Casa dos Pobres ambiciona mais e já tem projeto de ampliação das atuais instalações de modo a poder acolher mais 34 pessoas. É verdade que falta tudo o resto. Mas também é verdade que o resto será apenas uma questão de tempo se tivermos em conta o empenho dos quarenta trabalhadores que contribuem no dia-a-dia para a felicidade dos que vivem na Casa, ou se tivermos em conta a determinação e a força de uma Direção cuja presidente, Maria Luísa Carvalho, disso é bom exemplo, ou ainda se tivermos em conta as ajudas que, ao longo dos últimos oitenta anos, permitiram à Casa dos Pobres chegar até aqui.

As atuais gerações e a cidade não deixarão de responder à chamada, honrando uma instituição com história e provas dadas em Coimbra. É hoje também tempo de olharmos com esperança para o futuro “…para que a mútua colaboração possa alcançar o objetivo de maneira mais eficaz”.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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