15 de Abril de 2024 | Coimbra
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Transformador, leve e belo. O cancro também pode ser assim

21 de Outubro 2022

Criada pela enfermeira Alda Claudino, a Associação Borboletas aos Montes tem ajudado milhares de doentes com cancro da mama da região interior norte do país. Tudo começou quando Alda foi colocada na unidade de patologia mamária para prestar os seus serviços de enfermagem a quem ali se dirigia.

Com o passar do tempo, a enfermeira foi-se apercebendo da falta de conhecimento por parte dos doentes relativamente às necessidades despoletadas pelos tratamentos. Como forma de preencher este vazio, nasce a “Borboletas aos Montes”, uma associação de solidariedade social sem fins lucrativos. Segundo Alda Claudino, o objectivo passa por “promover a inclusão das pacientes da região interior norte a nível económico”.

Constituída formalmente em 2019, a associação presta serviços que vão desde ajudas técnicas, à promoção do bem-estar e à capacitação dos doentes com cancro da mama. “Dispomos de soutiens, perucas, almofadas para o pós-operatório (“almofada do coração”) e próteses leves, mas também promovemos o bem-estar físico e psicológico através de sessões de relaxamento e meditação, Reiki, caminhadas e exercício físico”, explica a enfermeira, em declarações ao “Despertar”. Além disso, os pacientes também são capacitados para a cidadania e empoderamento através de sessões informativas e de convívio para esclarecimento de dúvidas e partilha de experiências.

O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres e corresponde à segunda causa de morte por cancro no sexo feminino. “Ninguém está preparado para receber um diagnóstico destes. As pessoas ficam incrédulas e revoltadas. Depois, há as necessidades despoletadas pelos tratamentos e, durante este processo, a vida pára durante quase um ano”, revela Alda Claudino.

Nesse sentido, a fundadora não tem dúvidas de que o trabalho desenvolvido pela Borboletas aos Montes é essencial para atenuar o impacto da doença. “As pessoas sentem-se mais apoiadas. Conseguem ultrapassar um bocadinho a doença só pelo simples facto de saberem que têm sempre alguém para conversar”, confessa.

Projecto já ajudou mais de 1200 pessoas

Através de iniciativas como a “Exercitar para Bem-Estar” e a “Renascer das Borboletas”, a associação já ajudou mais de 1200 pacientes. No passado dia 7 de outubro, foi também inaugurado um espaço para acolhimento de doentes com cancro da mama na unidade de Vila Real do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD).

Neste local, está disponível uma área para exposição de artigos adaptados às necessidades dos doentes, outra para a realização de actividades de grupo (como consultas de psicologia, nutrição, meditação, entre outras), e uma terceira para cuidados de beleza. “Fizemos um cabeleireiro onde as pessoas podem ir pintar e cuidar do cabelo, porque quem tem esta doença fica com muitas dúvidas relativamente aos produtos que pode usar”, refere Alda Claudino.

Todo o trabalho é desenvolvido por voluntários e estende-se às famílias dos pacientes que procuram a associação para compreender melhor o dia-a-dia de quem vive com cancro da mama. “Às vezes, as pessoas querem ajudar, mas não sabem o que fazer. Vêm questionar-nos sobre a melhor forma de agir, por exemplo. É sempre uma situação delicada”, sublinha ainda a enfermeira.

Transformação, leveza e beleza

Sinónimo de transformação, leveza e beleza, o símbolo deste projecto só poderia ser, de acordo com Alda Claudino, a borboleta. A cor escolhida foi o verde por representar o rejuvenescimento, mas também o equilíbrio emocional, mental e espiritual. E se é verdade que o corpo e a mente devem estar alinhados, a Borboletas aos Montes não dispensa a vertente física.

“Temos aulas de exercício físico onde promovemos a partilha de experiências, exteriorizamos emoções e que, portanto, são uma mais-valia para estes doentes. Os convívios são diferentes e fazem bem ao corpo e à alma”, salienta a enfermeira. Além destas sessões, a associação está ainda a promover várias caminhadas no âmbito do Outubro Rosa. A primeira, realizou-se no passado dia 12 de outubro, em Vila Real. Há ainda uma segunda que se realiza dia 16, em Chaves, e uma terceira, no dia 30 deste mês, em Mondim de Basto. “São caminhadas solidárias cujo objectivo é alertar para a problemática do cancro da mama e para a importância do diagnóstico precoce e da prevenção”, frisa Alda Claudino.

Actualmente, “são cada vez mais as pessoas que se juntam à nossa causa, ajudando aos mais variados níveis”, admite, orgulhosa, a fundadora da Borboletas aos Montes. Depois de quase três anos de actividade, a aposta está agora em criar um novo espaço em Mondim de Basto e, deste modo, alargar o projecto. “Claro que o objectivo seria alargar a mais regiões. Quanto mais pessoas pudermos ajudar, melhor”, admite.

O cancro da mama é uma das doenças com maior impacto na nossa sociedade. Anualmente, em Portugal, são detectados cerca de 7 mil novos casos da doença e 1800 mulheres acabam por morrer. Cerca de 1% de todos os cancros da mama são no homem.


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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