2 de Dezembro de 2021 | Coimbra
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ANTÓNIO INÁCIO NOGUEIRA

Testemunhos: Olhares

3 de Maio 2019

Desloco-me, de quando em vez, ao Centro Cirúrgico de Coimbra para realizar consultas e exames médicos. Nestas ocasiões dou conta, em diversos locais de acesso aos doentes, da presença de uma revista chamada Olhares. É difícil não dar por ela, mesmo aqueles para quem a leitura tem pouco significado, dado o seu aspecto gráfico apurado. Folheio – a nos tempos de espera e, depois, levo – a para casa, pois, quase sempre, merece uma leitura concentrada. Particularidade: a sua distribuição é gratuita. Tenho lido todas elas.

Construídas, quase sempre, à volta de uma temática médica de interesse informativo para o doente, ostenta a revista um design esmerado, técnicas gráficas e fotografias dignas de menção. Os artigos são arquitectados com linguagem clara e simples, pretendendo, deste modo, que os leitores façam a sua compreensão, utilização e aprendizagem. Estamos perante um veículo de aproximação entre doente e médico. Terminam, quase sempre, com artigos de bons escritores. Damos como exemplo, António Lobo Antunes e José Tolentino Mendonça.

Ao ler a publicação, sob o título, Olhares, O Interior do Olho Humano, de carácter científico – cultural de validade inquestionável, mesmo apreciada por um leigo, fico rendido a estas iniciativas.

Olhares, O Interior do Olho Humano, é uma fonte editorial, límpida, jorrando fotografias de magnifica qualidade, expressivas do que está para além daquilo que o olho humano é capaz de alcançar, no dizer dos autores. Acrescentam, ainda, serem um instrumento de comunicação inovador entre ciência e arte. Para obter este desiderato, os especialistas do Centro Cirúrgico registaram, a melhor imagem, só possível dada a sua qualidade técnica e científica.

Tenho à disposição, ao longo das páginas …, “imagens reais do interior do olho humano e todas elas com uma história para contar. Revelam as inúmeras capacidades que hoje estão ao dispor da oftalmologia tornando possível ver o que não se vê…”. Na minha opinião, é tudo extraordinário, invulgar, e, a similitude às coisas que nos rodeiam, é soberba. Foram as 49 apresentadas eleitas de entre um agrupado de 6 milhões. De embasbacar, para quem está de fora desta arte, como é o meu caso.

Correspondendo sempre a uma doença, as imagens que se vêm na profundidade do olho são deslumbrantes. Parece que Matisse, Rembrant ou Picasso andaram por ali e pincelaram, de forma mágica e impressionante, o Sol, o Relâmpago, o Malmequer, o Granito, a Corda, Pêssegos de Calda, Picotado, Caviar, Nenúfar, Manhã Nublada, Vulcão Activo, Alforreca, Quarto Crescente, Pintura Rupestre, Buraco Negro, Raízes, a Flor, o Granizo. A natureza em plenitude.

Outra publicação digna de nota, intitula-se A Medicina e Arte, Breve “Viagem Guiada”, foi recentemente dada ao prelo, tem a assinatura de Linhares Furtado e exprime as relações entre a arte da medicina e outras artes, com manifesto predomínio do desenho e da pintura. A inspiração que a medicina avoca pode ser apreciada, ao longo das páginas da obra, através de inúmeras pinturas. Saliento pela sua beleza e pelo impacto que em mim criaram: A Sangria de Quirijn van Brekelenkam, O Médico de Luke Fields, A Visita do Médico de Jean Steen, A Ciência e a Caridade de Picasso, Alegoria à Transplantação de Linhares Furtado, A Lição de Anatomia de Tulp de Rembrant, e tantas, e tantas outras.

Uma obra a ler e a olhar.

Estas análises, despretensiosas, levam-me a dizer que o Centro Cirúrgico de Coimbra está de parabéns, pela sensibilidade artística que possui.

Vale a pena ler Olhares e estas duas publicações.


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