20 de Outubro de 2021 | Coimbra
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ANTÓNIO INÁCIO NOGUEIRA

Testemunhos: Manuel Fernandes Thomaz, um dos maiores da Revolução Liberal

25 de Setembro 2020

Nasceu bem perto de Coimbra um dos maiores da Revolução Liberal. Juiz desembargador, foi homem distinto na organização da revolução. Transferindo-se de Coimbra para o Porto em 1817, com a finalidade de ocupar a vaga de desembargador para que estava nomeado, naquela cidade encontrou quem simpatizasse com as suas ideias e aspirações – experimentou aí o sentimento patriótico invadindo todos os espíritos. Esta indignação nacional foi catalisada pela execução de Gomes Freire de Andrade e dos seus companheiros de desdita. Neste contexto, este revolucionário fundou o Sinédrio, grupo que assumiu um papel fundamental na Revolução Liberal do Porto no célebre dia 24 de agosto de 1820.

Com outro jurisconsulto também de ideologia liberal, José Ferreira Borges com quem se tinha relacionado após a sua chegada à cidade do Porto, estabeleceu em janeiro de 1818 um pacto secreto, visando o desenvolvimento de ações que contribuíssem para a implantação do liberalismo em Portugal e para a exaltação da vida nacional.

Juntaram ao projeto amigos e correligionários iniciando um conjunto de reuniões secretas para enunciarem as bases em que devia assentar o plano a seguir pela sociedade secreta que tinham fundado, a qual ficou conhecida sob o nome de Sinédrio, nome já acima referido. Tinha por objetivo, fundamentalmente, tomar o pulso às tendências e às pretensões do espírito público.

As reuniões realizavam-se em sigilo no dia 22 de cada mês na Foz do Douro para ajuizarem as notícias do mês anterior e determinarem os propósitos mais oportunos segundo as circunstâncias.

O número dos associados no Sinédrio nunca passou de 13, sendo o último a inscrever-se, em 18 de agosto de 1820, Bernardo Correia de Castro e Sepúlveda que depois prestou à causa liberal relevantes serviços.

Manuel Fernandes Thomaz, e o seu grupo do Sinédrio, foi considerado o impulsor do movimento de 24 de agosto de 1820 que redundou na revolução do Porto.

O papel mobilizador e de verdadeiro ideólogo daquele movimento, para além do seu papel destacado na Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, fazem dele figura primacial do Liberalismo Vintista. Naquela Junta, criada no Porto e que administrou o Reino após a Revolução Liberal, foi encarregue dos Negócios do Reino e da Fazenda, as duas pastas mais importantes da governação de então. Mas seria como deputado nas Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa que se distinguiu entre os autores das bases da Constituição Portuguesa jurada pelo Rei D. João VI em 1822.

Concluindo: esta personagem foi o grande revolucionário liberal do século XIX, na minha modesta opinião. Foi, também, o pai da Liberdade e da Constituição, afirmam sábios estudiosos.


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