6 de Maio de 2021 | Coimbra
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ANTÓNIO INÁCIO NOGUEIRA

TESTEMUNHOS. Li o livro No Armário do Vaticano, leia também

29 de Março 2019

Frédéric Martel, investigador, escritor e jornalista, escreveu um livro que se intitula No Armário do Vaticano. Quem estiver interessado em conhecer os enigmas do poder, da hipocrisia e da homossexualidade, nas intimidades do Vaticano, tem de ler, obrigatoriamente, este livro. Aviso que é um volume denso, de 646 páginas, para digerir devagar, estando garantido, no final, um bom repasto.

A obra, polémica, levanta o véu a um mesmo segredo, contextualizado em redor de várias questões, como por exemplo, o celibato dos padres, a interdição do preservativo pela Igreja, a cultura do sigilo em torno do tema do abuso sexual, a misoginia do clero, o fim das vocações para o sacerdócio, e, tantas e tantas outras.

Durante quatro anos, o autor-investigador percorreu os meandros do Vaticano, desenvolveu uma investigação de índole predominantemente qualitativa, no terreno, em mais de trinta países. É obra! Entrevistou dezenas de cardiais e encontrou-se com centenas de bispos e de padres. Foi capaz de desvendar a parte recôndita da Igreja, desde os mais pequenos seminários até ao Vaticano. Ajuizou, concomitantemente, sobre as vidas homossexuais escondidas e sobre as mais radicais homofobias. Assume, o autor, peremptoriamente: a esquizofrenia da igreja é insondável. E adianta: quanto mais um prelado é homofóbico em público, mais provável é que seja homossexual na vida privada.

No Armário do Vaticano é publicado, simultaneamente, em oito línguas e vinte países. Baseia-se num grande número de fontes, na investigação de terreno, – que se prolongou por mais de quatro anos, como já foi dito –, foram inquiridos mais de 1500 pessoas, no Vaticano e mais de 30 países. Entre elas, 41 cardiais, 52 bispos e monsignori, 45 núncios apostólicos e embaixadores estrangeiros, e, ainda, mais de duzentos padres e seminaristas. Todas estas entrevistas foram efetuadas pessoalmente, nenhuma por telefone ou e-mail. Às fontes de «primeira-mão», junta-se uma vasta bibliografia, com mais de um milhar de referências, livros e artigos. A feitura do livro teve a credencia-lo um conjunto, alargado, de investigadores de mérito reconhecido e, ainda, o acompanhamento e defesa por um consórcio de uma dezena de advogados.

Poucos poderão duvidar da bateria instrumental desta investigação e da fiabilidade resultante do seu tratamento.

O leitor que esteja interessado em saber mais, tenha a maçada de consultar o site www.sodoma.fr. e estar atento às palavras do Papa Francisco: A homossexualidade no clero é uma questão muito importante, que me preocupa.

Importante é, pois, o conteúdo deste livro.

Então, aconselho, leiam, tal como eu estou a fazer.

Boas leituras, amigos e leitores meus.


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