24 de Outubro de 2021 | Coimbra
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ANTÓNIO INÁCIO NOGUEIRA

Testemunhos: Lendas e mitos

24 de Setembro 2021

 

Nos dois artigos anteriores falei de lendas e mitos. Hoje, o último artigo sobre tal, não me arrependo.

Há muito tempo que não via nos escaparates das nossas livrarias tantos livros sobre lendas e mitos relativos a Portugal, destinados a pequenos e graúdos. Ainda, há poucos dias acabou de ser editado um livro da autoria de João Pinho e com ilustrações originais de Victor Costa (notícia postada no Jornal O Despertar). Esta obra promovida pela Fundação INATEL, Câmaras Municipais, Associações Locais, etc, redige 100 lendas da Região de Coimbra. Contou com a adesão de 18 dos 19 municípios que integram o CIM Região de Coimbra. Portugal é um país rico em cultura e em lendas fantásticas que passam de geração em geração. São às centenas as lendas portuguesas, contos, ditos e crenças populares que fazem da nossa cultura tão rica e interessante. De lobisomens a fadas, bruxas a sereias, fantasmas e almas-penadas a milagres de santos, não há criatura que o nosso folclore não inclua, à exceção, talvez, de vampiros.

Mas não só de terror se tratam as lendas portuguesas. Muitas revelam terras e gentes de coragem, histórias de vingança, amores impossíveis e amores-perfeitos.

Se estas lendas e outras mais têm o seu quê de verdade, não sabemos, e talvez nunca venhamos a saber. No entanto, algumas delas bem portuguesas deram nome a cidades, localidades, a vilas, e até originaram rituais. Agora resta-nos esperar que todos os ainda conhecedores de muito mais lendas, as continuem a contar e a passar de geração em geração.

A facilidade com que estas narrativas se constroem, partilham e perpetuam, deve-se ao seu poder de encantamento e fascínio que exercem sobre os indivíduos. Esta clarificação é essencial, pois a diversidade de conceitos que gravitam em torno das chamadas “narrativas ficcionais ou maravilhosas” é grande e a teia conceitual, complexa.

O mito é um conceito extremamente difícil de circunscrever e clarificar sobretudo no que concerne ao seu âmbito e objeto. Porém ele só nasce e se consolida a partir da aceitação coletiva, ou seja, o mito só existe quando ele cai no senso-comum, só este pode dar-lhe vida. Por sua vez a lenda deriva do mito. Pode-se entender que a Lenda é uma degeneração do Mito. Como diz o dito popular, “quem conta um conto acrescenta um ponto”, e deste modo, as lendas, por causa de serem transmitidas oralmente de geração em geração, sofrem alterações à medida que vão sendo recontadas. Assim, a lenda define-se por ser uma narrativa formada através da experiência humana e da imaginação do ser humano, sendo uma memória do passado que apela a uma expectativa no futuro, isto é, com um vislumbre do passado aprender como reagir no futuro.

Nos dias de hoje, utilizamos a palavra “mito” para designar um conjunto muito amplo de fenómenos e ideias, assistindo-se de certa forma a uma banalização do termo. Daqui resulta uma dificuldade concreta em definir o que é o “mito” e a necessidade de o enquadrar enquanto narração, que se debruça sobre o homem e o mundo. Na atualidade, o mito pode ser utilizado para descredibilizar algo que nos é contado, como também pode ser empregue para factos verdadeiros como designar ícones da cultura de massas, tais como personalidades que pertencem ao mundo da música, do desporto, do cinema, da política ou daqueles que em tempos alcançaram grandes marcos na época dos descobrimentos. (a devida vénia aos autores e a 21 sites do Google e à Wikipédia, de onde foi tirada muita desta informação)

Não voltarei, por hora, a falar destes assuntos. Mas leiam lendas portuguesas ou estrangeiras, e contem-nas depois aos vossos netos. Vejam o resultado e a alegria dos petizes. O encantamento para eles é tudo, ou quase tudo. Ponto Final.


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