13 de Maio de 2021 | Coimbra
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ANTÓNIO INÁCIO NOGUEIRA

TESTEMUNHOS. Esquerdo, Direito, Um, Dois…

22 de Novembro 2019

Este título fez-me recordar os meus tempos de tropa. A lembrança veio das profundezas das memórias, porque li no Jornal de Notícias uma notícia que atestava, firmada em estudos credíveis, haver mais graduados do que praças nas Forças Armadas, entenda-se soldados. Como tudo mudou de então.

Fez-me também lembrar um amigo meu, que meio a brincar meio a sério, afirmava para o grupo reunido no café, que nas Forças Armadas, principalmente no Exército, havia mais Generais do que sargentos! E nós riamos perante esta argumentação. Afinal quase adivinhava, pelo menos a pirâmide já a concebia invertida.

Há, efetivamente, cada vez menos praças nas Forças Armadas, e, diz-se nesse estudo, enfrentarmos uma situação bastante crítica: deixou de fazer sentido falar em pirâmide hierárquica, pois a base já é inferior ao conjunto de sargentos e oficiais. Isto é, para explicitar melhor, estamos perante uma pirâmide invertida que perdeu toda a sua estabilidade.

Fontes do Ministério da Defesa, garantem que em 2018 havia apenas 11.369 praças para 8.738 sargentos e 6.905 oficiais, estando, no entendimento dos seus chefes, desvirtuada a estrutura militar, cuja organização é vincadamente hierarquizada.

No artigo, acenam-se também cenários sombrios, caso não sejam tomadas medidas para reforçar o recrutamento e suster a saída de praças. Afirma-se, perentoriamente, que um soldado recebe o ordenado mínimo, – nada aliciante –, e assim sendo, a instituição continuará a perder efetivos, presumindo-se a sua fatalidade.

Há já quem clame o regresso ao Serviço Militar Obrigatório, ainda que a medo, e de forma leve como uma pluma. Atenção, porque é sabido, ser com penas que se «faz a cama»!…

Há sargentos a fazer trabalhos de praças e oficiais a fazer trabalho de sargentos. Está vinculadamente plasmado, consequentemente, as pessoas sentirem-se desmotivadas. Pessoalmente, aceitaria a situação, se o nosso Exército fosse tecnologicamente evoluído, mas não é, tirando alguns nichos de forças especiais. Logo, o que se passa, não deve ocorrer e é deveras comprometedor da estratégia e prontidão das Forças Armadas.

Processo de Tancos? Não quero falar desse acontecimento inimaginável.

O Ministério do Exército apresentou um plano de ação com medidas a concretizar nos próximos cinco anos, tentando reverter o problema da perda de efetivos. De entre as propostas apresentadas, é de salientar a criação de um quadro permanente para a categoria de praças, à semelhança da Marinha, e um aumento da sua remuneração. É óbvio ser de plena razoabilidade a proposta apresentada. Quem é que pode ganhar o salário mínimo para trabalhar em média 60 ou 70 horas semanais?

Há soldados que ao fim de seis anos e meio do seu contrato ganham 594 euros por mês. É ganhar mal e, ainda, por cima, e, por vezes, não receberem o tratamento respeitoso que merecem.

As praças, hoje, têm habilitações académicas razoáveis e, no fim do contrato, não têm qualquer futuro. A maior parte deles afirma, ter sido tempo perdido integrar as Forças Armadas Portuguesas.

De mal a pior… acudam?!…


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