Um pequeno texto de homenagem aos cafés que foram lugares de tertúlias, lugares onde se aprendia a pensar, à procura da verdade. Fiz o Liceu na cidade da Guarda. Alguns de nós fomos para Coimbra e Lisboa para a Universidade. Nas férias grandes todos nos juntávamos no Café Monte Neve, um Café muito bonito, hoje transformado em loja onde se vende vestuário de mulher. Tempos de consumo.
Da política ao futebol tudo era escalpelizado no meio de fortes discussões. Tínhamos por aí dezoito anos.
Talvez seja o que me falta hoje.
Neste desenredo eu era livre. E o que vinha a pensar de incomodo pelo caminho esboroou. Foi-se. Era neste desmoronar que me sentia autónomo. Porque consigo parar aqui o tempo.
Às vezes escrevo suspenso:
Os tempos perpassam
As memórias perduram
As horas infinitam
Os minutos coabitam
Os segundos
São os ponteiros
Dos tempos que nos restam …
A mim, porventura poucos.