18 de Abril de 2024 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

TESTEMUNHOS: Académica Qué De Ti ?

31 de Março 2023

Pergunto-me se alguém seria capaz de prever, há uns anos atrás, que a velha Académica, entidade de futebol, fundada em 1887, mais precisamente em 3 de Novembro, já lá vão 137 anos, estaria na posição dramática em que se encontra hoje.

Sendo o mais antigo clube em actividade em Portugal e na Península Ibérica, está hoje a militar na Terceira Divisão, com sérias probabilidades de ainda, nesta época, descer ao Campeonato de Portugal, o patamar desportivo que antecede os campeonatos distritais. Que maledicência atravessa esta instituição histórica, hoje falida, que sobrevive nas mãos de credores? (Para evitar equívocos digo que estou a referir-me à actual Associação Académica de Coimbra – O. A. F., simplificadamente designada por Académica,  um clube de futebol profissional português, criado em 1984).

Óh Briosa, Velha Senhora ou Clube dos Estudantes, como te batizaram e ainda chamam, o que foi feito de ti?

Óh Académica detentora da Primeira Taça de Portugal, realizada em 1939, como sucumbiste assim?

Óh Académica que a 25 de Maio de 2012, repetes a façanha conquistando a Segunda Taça de Portugal, como  desapareceste assim?

Óh Académica que empolgavas a cidade com os teus feitos, com festejos que duravam dias, aquela cidade que te recebia em êxtase, (porque os jogadores eram uns dos seus heróis), onde te escondeste?

Óh Académica do futebol rendilhado que disseminavas pelos campos do país, praticado por jogadores – estudantes, onde te meteste?

Óh Académica, sempre Briosa, que derrotavas no velho campo de Santa Cruz ou no Calhabé os três granes do futebol nacional, onde estás?

Óh Académica, equipa politicamente solidária com os estudantes de Coimbra que lutavam, com as suas reivindicações, contra a ditadura, por que morreste?

Óh Académica equipa de causas maiores como te campar?

Académica, e tantas, tantas outras coisas de que poderíamos falar!…

E hoje, pergunto-te Briosa:

Por que é que a cidade e os próprios estudantes se afastaram de ti? (Este foi o grande erro, fruto do tempo, da falta de memória e da gestão invisível).

Porquê à tua volta tamanha má e indigente gestão?

Porquê tantos jogadores que não cultivavam o teu emblema?

Por que tiveste uma tão fraca adaptação ao futebol profissional?

Porquê tantas exibições tão pouco concebidas?

Porquê Briosa, já não consegues entoar a tua canção?

Enquanto não responderes a estas perguntas e a muitas outras, não voltarás a ser a grande…BRIOSA

Ainda estás a tempo de desagravar a tua saúde débil, assim muitos o queiram e a cidade também.

Eu cá, apesar de tudo, continuarei a gritar, BRIOSA, BRIOSA, BRIOSA!…

A final da Taça de 1969 foi seguramente a mais politizada de todas as que se disputaram até agora. A crise estudantil estava ao rubro, a Académica estava solidária com os estudantes de Coimbra e a Direção Geral da AAC aproveitou o jogo para dar visibilidade às suas reivindicações. O topo sul do Estádio Nacional foi um autêntico “comício contra o regime”, com os estudantes a mostrarem cartazes onde se podia ler “Universidade Livre”, “Melhor ensino, menos polícias”, “Menos espingardas, menos quartéis, menos repressão” ou “Ensino para todos”. Foi a primeira vez que a final da Taça não teve transmissão televisiva e nem o Presidente da República nem o Ministro da Educação marcaram presença no Jamor…[23]

1974 – CAC – Clube Académico de Coimbra

Após a subida de divisão a Académica vive o momento mais conturbado da sua História. A 20 de Junho de 1974, uma Assembleia Magna de estudantes decidiu a extinção da secção de futebol, isto numa altura em que a equipa estava numa digressão em Espanha.[24]

Os sócios da secção de futebol da Académica recusaram-se a aceitar a ideia de excluir o futebol de alta competição e, num plenário da secção, liderado por Júlio Couceiro, propõem a constituição do CAC, aprovado pelos 500 associados presentes. O presidente da AF Coimbra, Guilherme de Oliveira, mostrou estar do lado do grupo e rapidamente reconhece o CAC como sucessor legítimo e legal da secção de futebol. Apesar de numa primeira fase, o processo ter sido indeferido pela FPF, dando origem a inúmeros protestos e manifestações, o Conselho de Justiça da FPF acabou por anular as decisões anteriores e reconhecer o CAC.[25]

1984 – O regresso à casa-mãe: o nascimento do Organismo Autónomo

10 anos depois, o Clube Académico de Coimbra foi extinguido. Tudo aconteceu a 27 de Julho de 1984 quando o auditório da Associação Académica de Coimbra foi o local escolhido para que Ricardo Roque, presidente da AAC, e Jorge Anjinho, presidente do CAC, assinassem o protocolo que consagrou a extinção do Clube Académico de Coimbra e a sua reintegração na casa-mãe, agora com o estatuto de organismo autónomo. Nascia então a AAC / OAF – Associação Académica de Coimbra / Organismo Autónomo de Futebol.[26]

Novo Milénio (2001-Presente)

2003 – Inauguração Estádio Cidade de Coimbra


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