18 de Julho de 2024 | Coimbra
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ANTÓNIO INÁCIO NOGUEIRA

TESTEMUNHOS: A Gripe de 1918 (I)

13 de Novembro 2020

Regresso ao tema do artigo anterior, cada vez mais atual, pois o número de infetados, internados nos hospitais e aí nos cuidados intensivos, bem como o número de mortos começa a ser alarmante. Tais factos e muitos outros consequentes conduzem à exaustão dos serviços de saúde. É neste contexto que lhes apresento, de forma sintética e despretensiosa, a pandemia gripe espanhola. Primeiro por ser a mais recente; segundo, por verificar que se repetem, hoje, no quadro Covid erros semelhantes aos de então, ainda que, tomando em consideração as diferenças existentes nos tempos e nos modos.

A gripe espanhola, também conhecida como gripe de 1918, foi uma vasta e mortal pandemia do vírus Influenza. De janeiro de 1918 a dezembro de 1920, infetou cerca de um quarto da população mundial à época. Número de mortes: 50.000.000; data de início: 1918; data oficial de finalização: 1920.

A gripe espalhou-se pelo mundo, fundamentalmente, por motivo da movimentação de tropas no período da Primeira Guerra Mundial, tendo um impacto direto nos países que participavam nesse conflito. Os primeiros caso – Uma série de estudos foram conduzidos ao longo dos séculos XX e XXI sobre a gripe espanhola, e o primórdio da doença permanece um enigma. O que se sabe é que, presumivelmente, a gripe espanhola foi uma transmutação do vírus Influenza que passou de aves para os seres humanos. Além disso, sabe-se que os primeiros casos de que se tem informação aconteceram nos Estados Unidos e foram registados no Fort Riley, uma instalação militar localizada no estado do Kansas.

O primeiro paciente foi o soldado Albert Gitchell, internado, com sintomas de gripe, na enfermaria de Fort Riley, em 11 de março de 1918. Nas semanas seguintes, mais de 1100 outros soldados desse local foram internados com os mesmos sintomas. Acredita-se terem sido as tropas norte-americanas participantes na Primeira Guerra Mundial que disseminaram a doença pelo mundo.

Perguntarão os leitores: Se a gripe espanhola surgiu nos Estados Unidos por que razão se designa gripe espanhola? O vocábulo «espanhola» não traduz a sua origem. Deve-se ao facto de ter sido a imprensa espanhola a espalhar as notícias da sua evolução pelo mundo. Qual a explicação para o facto? A justificação para isso tem relação direta com a Primeira Guerra Mundial. Tornava-se imperioso que as informações da doença fossem escondidas de forma a não lesar a moral dos soldados, não criar pânico na população e não passar a perceção de abatimento para o adversário. A Espanha, no entanto, não participava na guerra, e a sua imprensa tinha independência para falar na pandemia. Daqui o nome gripe espanhola.

A gripe espanhola alastrou-se pelo mundo em três ondas: primeira onda, iniciada em março de 1918; a segunda onda em agosto de 1918; a terceira, em janeiro de 1919. A segunda onda foi a mais contagiosa e a que produziu os maiores índices de mortalidade (atenção ao desenvolvimento da a tual pandemia Corona Vírus! Irá ter o mesmo desenvolvimento? Estamos a tempo e em tempos de fazer melhor).

Nota: O artigo continua numa próxima edição de “O Despertar”


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