18 de Julho de 2024 | Coimbra
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ALICE LUXO

Tertuliar – Alegria e “coisas” boas: letras e sabores

15 de Janeiro 2021

Podemos até começar pela sopa de letras para justificar o mote da escrita, mas… comecemos pelo início, pela letra A, de azeite. Com duplo ou triplo ou, melhor ainda, uma multiplicidade de significados, o azeite além de alimento-condimento é fonte de luz e verdadeiro ouro-líquido que confere singularidade gourmet ao mais simples dos cozinhados: um bacalhau cozido ou uma singela sardinha assada na brasa, acompanhados de uma batata cozida e regados com um fio de azeite revela-se alimento dos deuses.

Da sopa de letras aos bolos, bolinhas, bolachinhas e chocolates,… podemos dizer, ou melhor, escrever!: há letras para todos os gostos, umas mais gustativas que outras ou com um cardápio mais amplo.

E aqui vem de novo a letra A, que nos traz o arroz, em bolinhos doces (os tão lusitanos bolos de arroz, que trazem o desafio de lhes ser retirada a cinta e base de papel) ou salgados (a singularidade de poderem resultar de um aproveitamento dos bagos não consumidos em anterior refeição e assim criar novo manjar), consumido na sua forma mais simples ou enriquecido com ingredientes variados é no incontornável empratamento em travessa ou prato, bordado a canela, que se afirma como um dos mais transversais doces de colher servido à mesa da portugalidade; segue-se a letra B de broa, mas também de bacalhau e de batata (relembremos, por exemplo, os bolos de bacalhau e as pataniscas ou a açorda), a letra C da couve, mas também da cenoura e da chanfana e de… caramujos, que nos remetem de novo para a letra A ao relembrarem, duplamente, o alimento mais precioso com que a Natureza nos brinda: a água. Curto intervalo na letra D, de dióspiro mas também de Dom Rodrigo, por se nos revelar difícil encontrar iguaria que adote esta como a primeira letra do nome; será que o nosso leitor nos pode dar aqui uma ajuda?

Entretanto, damos um salto e retomamos aquela que poderá ser a pergunta gustativa de 2021, o ano em que Coimbra é Região Europeia da Gastronomia: “o que se come aqui?”.

O convite é partirmos à descoberta do que poderá ser a identidade gastronómica de Coimbra e Região, contando para isso com a preciosa colaboração dos nossos leitores (acreditamos que num futuro próximo possamos voltar a percorrer esta nossa Região tendo por bússola os sabores que nos identificam, por enquanto vamos alimentando “a tinta” esta curiosidade e vontade de voltarmos a partilhar histórias e sabores à volta de uma Mesa …redonda, para que estejamos equidistantes): que tal fazer-nos chegar a referência de um prato, doce ou salgado, que considere deste nosso território e uma curiosidade que lhe esteja associada? (se concordar, podemos ir partilhando por aqui e assim, em modo colaborativo, chegaremos a uma resposta, em construção, à pergunta que acima relembramos).

Como qualquer povoado habitado, Coimbra tem os seus “pratos”; mas será que os conseguimos elencar? Em conversa recente sobre o tema, chegámos a uma possível identidade singular: os petiscos, de tudo e mais alguma coisa, resultantes da multiculturalidade e multi-regionalidade que se encontram nos “lugares de bem comer”, que se foram “impondo” na malha urbana como “isco” para grandes conversas, inspiradoras do que poderíamos designar como “cidadania ativa”, e nas casas que beneficiaram do saber-fazer de “cozinheiras de mão cheia” que vinham “das Beiras” e traziam com elas a arte alquímica da transformação dos alimentos em “opíparos repastos” (uma fabulosa expressão que caiu em desuso e que nos foi recentemente recordada em conversa absolutamente… deliciosa!)

Voltemos ao nosso ABC gastronómico e à letra E, de enguias mas também de ervilhas (que tal com ovo escalfado, caríssimo leitor?) ou de…

Iremos continuar a partilhar este “dicionário” ao longo do corrente ano, procurando ir alimentando a base de um receituário singular que vá sendo construído em resultado do contributo de todos.

Entretanto, retomando uma tradição da imprensa escrita, deixamos aqui a receita de Bolos de Leite, registada por Carlos Bento da Maia no início do século XX, como inspiração e mote para continuarmos a treinar a arte de biscoitar: “250 gr. de farinha de trigo, 500 gr de açúcar, 250g de manteiga, 50 gr de leite para amassar, q.b.; tomam-se todos os elementos acima indicados, farinha, açúcar e manteiga, misturam-se muito bem e junta-se-lhes o leite necessário para amassar. Depois de amassados, estende-se a massa, cortam-se feitios e leva-se ao forno. Conforme a espessura da massa e o grau de cozedura, podem ficar como bolos ou como biscoitos: isto é, se forem laminados muito finos e fortemente cozidos, melhor lhes cabe o nome de biscoitos”.

Relembramos que todas as terças-feiras, nas redes sociais (@CCEC2027) há uma conversa em direto que nos convida a fazermos parte do caminho que levará Coimbra a Capital Europeia da Cultura em 2027 e mais além.

Até já e… tertuliemos “coisas” boas!


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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