7 de Março de 2021 | Coimbra
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ALICE LUXO

Tertuliar – Alegria e “coisas” boas: letras e sabores… literários

19 de Fevereiro 2021

Continuemos a desfolhar, co-criar e servir o nosso ABC da gastronomia, caríssimo leitor!

Em curta paragem no ó da antiga ponte, relembremos alguns “escritos gastronómicos” que dão mais sabor aos livros que podemos ler.

Podíamos começar por Eça e as deliciosas refeições de Jacinto, entre o “molho verde” no 202 dos Campos Elísios e “uma travessa a transbordar de arroz com favas” na chegada a Tormes, ou por José Saramago e os 1001 motivos gustativos para manter em aberto a proposta de, em micro-grupo, assim que as condições o permitam, dar contemporaneidade ao livro-guia “Viagem a Portugal”, ou por Ruben A. e “os primeiros anos da minha vida consciente [em que] percorri todo o Norte de Portugal numa busca culinária doceira, na companhia da avó Joana”, para deixar novo desafio aos nossos leitores: nos livros que escolhemos ler, descobrir (e partilhar) a centralidade das referências alimentares ao longo da escrita. Aceita o desafio?

Regressemos agora ao nosso ABC e à letra J, de “jaquinzinhos” mas também de jardineira (a curiosidade de ser esta a palavra para designar quem trata do jardim, não é coincidência!: criar harmonia de aromas, cores e texturas é-lhes comum), um prato a confecionar nesta época do ano, estufado colorido, em que o molho nos convida a uma prática a que nem o nosso Jacinto resistiu: “limpar” o prato com pão cozido em forno de lenha e… saborear demoradamente. A letra J leva-nos a Santo Tirso para saborear um dos mais interessantes bolos (“gostos não se discutem”, caríssimo leitor!) do nosso receituário doceiro: o jesuíta (embora a sua origem não seja de todo consensual, é a Santo Tirso que o associamos).

Segue-se a letra K, uma das que mais recentemente integrou o nosso alfabeto, e que nos remete para… kiwi (a ortografia “quivi” para designar este fruto tropical existe e está correta, só que caiu em desuso e mal nos lembramos que existe!), fruto estival que encontrou na região bairradina o terroir ideal para ser cultivado. Aproveitamos para dar um salto até Mortágua para saborear a letra L, de lampantana, um prato regional que estará associado à passagem das tropas napoleónicas por esta Região (motivo suficiente para deixar aqui novo desafio, a concretizar quando as condições o permitirem: percorrer a Grande Rota do Bussaco) ou até Penacova saborear um arroz de Lampreia e num saltinho ir ao Lorvão tomar um café acompanhado por um fantástico Pastel [de feijão] de Lorvão. O Mondego a lembrar histórias de lavadeiras que, na barca, desciam à “cidade dos estudantes” para, entre afazeres, inspirar poetas e cantores. Fevereiro, o mês mais curto do nosso calendário, desafia-nos com a sua irrequietude: dias invernosos e dias primaveris, facilmente desculpados por ter no centro o coração: 14, dia dedicado à amizade e ao amor.

Deixamos aquela que poderá ser a pergunta gustativa de 2021, o ano em que Coimbra é Região Europeia da Gastronomia (“o que se come aqui?”) e o desafio abraçado de continuarmos a descobrir, em modo colaborativo, uma possível identidade gastronómica de Coimbra e Região.

Relembramos ainda que todas as terças-feiras, nas redes sociais (@CCEC2027) há uma conversa em direto que nos convida a fazermos parte do caminho que levará Coimbra a Capital Europeia da Cultura em 2027 e mais além.

Até já e… tertuliemos “coisas” boas!


  • Diretora: Zilda Monteiro

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