14 de Maio de 2021 | Coimbra
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ALICE LUXO

Tertuliar

17 de Maio 2019

Ao encontro do Quim Tó das lavadeiras e tendo as palavras de Miguel Torga por companhia partilhamos uma inusitada Viagem do Elefante. Confuso? E se lhe juntarmos a visita ao Manuel do Rio? Ainda mais confuso???

Caríssimos tertulianos, a “confusão” é inspirada num Clube de Leitura singular e espelha de alguma forma o mês que há bem pouco recebemos e que nos chegou anunciado pela criatividade “improvisada” do Jazz (as aspas servem aqui para relembrar que um bom improviso dá muito trabalho!), acompanhada pelas mil e uma cores e sons com que a primavera nos tem brindado.

Maio das Maias, de Alegria, de celebração (no fundo, todo e cada um dos dias que nos é dado viver é… dia de Alegria e celebração) relembrada em cada pequena ou não tão pequena horta, em cada canteiro ou mesmo nas bancas de um dos nossos Mercados.

Maio convida a caminhar pelos jardins e – sim!, é verdade – à beira-mar, mas também a ir aos campos colher favas e ervilhas, a descobrir o encanto das nossas serras – a Lousã e o Buçaco aqui tão perto! – a deixar-nos encantar pelas festividades que nos levam a (re)descobrir e percorrer vilas e aldeias onde o espírito de comunidade e a arte de bem receber que nos caracteriza e atrai ao nosso país visitantes e novos residentes é um modo de vida natural, inscrito no ADN.

Descobrimos uma alegria contagiante na partilha de momentos únicos: cantar, dançar, brincar, ir à horta apanhar os ingredientes para a salada, passar pelas flores e recolher sabores únicos (para nós seriam apenas decorativas ou ervas para alimentar bichinhos …), vamos à fonte buscar – e chapinhar! – água, da adega chega uma picheira,… à volta da mesa sentamo-nos para partilhar uma gastronomia singular, identitária, fruto de um receituário resultante do aprender fazendo, da procura nos ingredientes com que a Natureza nos brinda da inspiração para criar pratos – na verdade… é nas travessas ou tigelas de barro ou na sopa servida diretamente da panela para a malga, rematada com um fio de azeite desenhado pela almotolia, que a sinfonia de sabores cria uma melodia impar com a broa acabadinha de sair do forno a lenha, as azeitonas e o queijo acompanhados por gargalhadas e histórias de um território que aprendemos a valorizar cada vez que visitamos, nos deixamos envolver pela comunidade e assim ampliamos a nossa reserva de dopamina.

Tertuliando concluímos que redescobrir e/ou construir espaços de sociabilidade na cidade que habitamos é um dos convites/ desafios que as temperaturas amenas e os “dias mais compridos” nos deixam: contribuir para que a nossa seja uma cidade encantadora, não “apenas” pela inquestionável riqueza do património – vale a pena relembrar aqui que em 2013 a Universidade de Coimbra, Alta e Sofia foram classificadas Património da Humanidade pela UNESCO – história e cultura,… mas pela capacidade de encantar quem nela reside e assim se revelar naturalmente uma anfitriã de excelência para quem nos visita.

Quanto ao nosso Índice Gustativo… uma nova entrada: bacalhau à Gomes de Sá, galinha tostada no forno e, sim!, arroz doce (a diferença: era amarelo, tinha ovo).

Mantêm-se os desafios tertuliares: partilhar connosco algum petisco e/ou memória associada, escrever um postal e/ou um parágrafo (fixar memória é cultura cidadã) e… Tertuliemos!


  • Diretora: Zilda Monteiro

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