A tempestade Kristin afetou Portugal continental há pouco mais de uma semana, mas ainda hoje se vive momentos de grande angústia e de preocupação, agora mais com a chegada da depressão Leonardo. A chuva intensa teima em não dar sossego e várias regiões como Coimbra, Leiria e Santarém estão a ser deveras castigadas com inundações.
A passagem da tempestade Kristin afetou todo o território nacional, onde o mau tempo causou 10 mortes – cinco diretamente associadas à sua passagem e outras cinco em incidentes relacionados, como quedas de telhados durante reparações e intoxicação por geradores.
A juntar às perdas humanas, o impacto material é significativo. Estradas cortadas, circulação ferroviária interrompida, escolas encerradas e serviços essenciais condicionados deixaram várias comunidades isoladas. A queda de árvores e de postes de eletricidade dificultou o restabelecimento da energia, da água e das comunicações, mantendo milhares de pessoas numa situação de grande incerteza. Perante a gravidade do cenário, o Governo decretou e prolongou o estado de calamidade.
Região vive dias incertos
Com a chegada da depressão Leonardo, a sexta do ano, e que já fez um morto em Serpa, a preocupação cresce a cada hora. Esta nova tempestade está a provocar chuva persistente e rajadas de vento até 75 quilómetros por hora no litoral a sul do Cabo Mondego e até 95 quilómetros por hora nas zonas altas, conforme o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Na região de Coimbra, a situação continua bastante alarmante. Vários concelhos sentem os efeitos deste mau tempo. Na freguesia de Ereira, em Montemor-o-Velho, a população está isolada com a subida do caudal do rio Mondego. A A14 entre a Figueira da Foz e Montemor-o-Velho encontra-se cortada, por tempo indeterminado, devido ao alagamento do pavimento. Arganil está em alerta para o risco de cheias junto ao rio Alva. Várias regiões estão ainda sem eletricidade e comunicações. Em Coimbra o Parque Verde continua alagado e há a possibilidade de cheias no rio Mondego.
A presidente da Câmara Municipal, Ana Abrunhosa, alertou para o facto de a barragem da Aguieira se encontrar cheia, estando a ser realizadas descargas controladas para prevenir cheias em zonas urbanas, com acompanhamento permanente dos caudais.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) revelou que o mês de janeiro foi o segundo mais chuvoso desde o ano 2000. Fevereiro contínua com muita chuva e a esperança é que o bom tempo regresse para a normalidade se volte a instalar.