24 de Setembro de 2021 | Coimbra
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Surto do coronavírus deixa país em “suspenso”

13 de Março 2020

O surto do coronavírus está a provocar grande ansiedade nos portugueses e está a deixar, de alguma forma, o país em “suspenso”. Perante a fácil propagação do vírus, a aposta tem passado efetivamente pela prevenção, o que se traduz em inúmeras medidas que estão a condicionar o dia a dia de cada um, não só em Portugal mas um pouco por todo o mundo, afetando todos os setores.

O vírus, identificado pela primeira vez na China, rapidamente se espalhou a muitos outros países e chegou também a Portugal no final da semana passada, com os casos a subirem rapidamente, havendo já 59 casos confirmados (números divulgados até ao fecho desta edição). A rápida evolução do surto epidémivo levou a Organização Mundial de Saúde a declarar, anteontem, o Covid-19 como pandemia, exigindo, por isso, ainda mais “medidas extraordinárias” com vista à prevenção da sua propagação.

Perante este cenário, no distrito de Coimbra os vários concelhos ativaram os seus “Planos de Contingência”, seguindo assim as indicações da Direção Geral da Saúde e apostando num conjunto de medidas que visa minimizar os riscos de propagação da doença, tanto junto dos trabalhadores como dos utentes dos serviços. As várias medidas apelam à contenção na socialização, privilegiando os contactos não presenciais.

Os “Planos de Contingência” estão a ser ativados também por várias juntas de freguesia e por outras entidades públicas e privadas, com as medidas a refletirem-se em vários encerramentos e cancelamentos de inúmeros eventos.

A Câmara Municipal de Coimbra anunciou, na quarta feira à noite, que tomou “medidas extraordinárias complementares para minimizar os efeitos da propagação da doença junto dos trabalhadores, utentes dos serviços municipais e população em geral”. Para tal,Cancelamento de todos os eventos públicos promovidos pela autarquia, o que inclui atividades culturais, desportivas e recreativas; encerramento ao público de todas as bibliotecas municipais, postos municipais de turismo e equipamentos culturais municipais; encerramento ao público das piscinas e equipamentos desportivos municipais; e suspensão de feiras cuja abrangência não seja estritamente de cariz local (como Feira de Artesanato Urbano, Feira de Velharias, Feira de Sábado do Bairro Norton de Matos, Feira dos 7 e 23). É ainda limitado o licenciamento de eventos em espaços públicos e dada preferência ao atendimento não presencial nos espaços públicos, entre outras medidas de prevenção. Para já, o Município decidiu manter o Mercado Municipal D. Pedro V em funcionamento, reforçando as ações de contingência.

A Universidade de Coimbra suspendeu, na segunda feira, “todas as atividades letivas presenciais, substituindo-as por métodos digitais para promoção de um ensino à distância”. Procedeu também à suspensão e adiamento de todos os eventos científicos, culturais e desportivos, bem como as atividades em bibliotecas e salas de estudo, o circuito turístico, as visitas a museus e a utilização das infraestruturas culturais e desportivas. A restrição estende-se, ainda, às cantinas, que estão a funcionar apenas com o serviço de “take-away”.

O Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) tomou também medidas idênticas em vários dos seus estabelecimentos. O IPC sublinha que “está a acompanhar de forma permanente a evolução do Covid-19 e o impacto no funcionamento das suas unidades orgânicas de ensino”, estando preparado para agir “em conformidade com as orientações da autoridade de saúde”.

Entretanto, ao longo de toda a semana, várias universidades e institutos de ensino do país foram também fechando portas, completamente ou nalguns dos seus pólos. Já ontem ao início da noite, o Governo anunciou o encerramento de todas as escolas do país, do primeiro ciclo ao ensino superior, assim como creches, infantários e Atividades de Tempos Livres.

A Associação Académica de Coimbra e o Tribunal Judicial da Comarca de Coimbra também ativaram os seus “Planos de Contingência”, de modo a prevenir situações de propagação do vírus.

Em relação aos eventos cancelados ou adiados, são inúmeros. Em Coimbra destaque para o adiamento do encontro das 11 cidades que são ou serão capitais europeias da cultura entre este ano e 2024, inicialmente marcado para hoje e amanhã e que foi reagendado para para finais de junho, caso as condições o permitam.

De resto, a maioria das realizações que movimentam grande número de pessoas, como feiras, festivais, eventos desportivos e culturais estão a ser cancelados ou adiados.

No desporto, a maior parte das realizações foram também canceladas ou adiadas. No caso dos jogos de futebol da I e II Liga vão decorrer à porta fechada, sem público. O mesmo acontece no basquetebol, com a Federação Portuguesa da modalidade a suspender todas as competições de formação e a manter apenas os jogos das equipas seniores, que se irão realizar também à porta fechada.

No ensino, as escolas aguardam com expectativa recomendações das entidades competentes, tendo ativado também os seus “Planos de Contingência”. Vários programas Erasmus estão a ser cancelados, assim como as viagens de estudo habituais.

O turismo e a economia não escapam também ao impacto do vírus, com viagens e voos a serem continuamente cancelados.

Recorde-se que as indicações do Governo vão no sentido de que sejam adiadas ou canceladas todas as iniciativas ao ar livre que possam reunir mais de 5.000 pessoas. Já em ambientes fechados, essa medida deve ser tomada em todas as situações que possam envolver mais de 1.000.

O Primeiro-Ministro, António Costa, anunciou já que estão a ser acauteladas ajudas para os diferentes setores afetados, em articulação com a Comissão Europeia, que assegurou que está a ser preparado um novo pacote de ajuda, no valor de 232 milhões de euros.

A nível interno, os médicos responderam positivamente ao apelo lançado pelo Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, para reforçar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde para combater o surto, tendo mais de 1.000 profissionais assegurado a sua disponibilidade em apenas 24 horas.

Perante o “grau de incerteza” que o coronavírus está a provocar, António Costa pediu serenidade aos portugueses, bem como atitudes cívicas que apostem na prevenção.

Sobre a possibilidade de se antecipar as férias da Páscoa, encerrando todas as escolas do país, a ministra da Saúde, Marta Temido, manteve a posição de António Costa, remetendo tal decisão depende de “determinação expressa” das autoridades de saúde, salvaguardando que, em todos os casos, não se trataria de antecipar férias mas de apostar na contenção a nível de contactos. Depois da intervenção da ministra e da Diretora Geral da Saúde, Graça Freitas, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, sublinhou, em declarações à SIC Notícias, que nesta fase é preciso que os jovens sejam responsáveis e que cumpram o isolamento, considerando que é fundamental conter a propagação do vírus.


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