14 de Outubro de 2019 | Coimbra
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Sucesso da Baixa depende da união de todos

4 de Outubro 2019

Depois de cinco anos e meio, Vítor Marques concluiu, na segunda feira, a sua “missão” enquanto presidente da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC). Sai, como afirma, com a sensação de dever cumprido e muito enriquecido, tanto em termos pessoais como profissionais. Apesar de não ter feito tudo o que gostaria, traça um “balanço extremamente positivo” e considera que “foi uma missão extremamente gratificante”, não só para si como para toda a restante equipa que o acompanhou na Direção.

Na hora da “despedida”, Vítor Marques mantém o mesmo espírito de quando aí chegou, ainda no mandato de Armindo Gaspar, sempre com o olhar focado no futuro e na promoção do centro histórico. “Temos que nos dedicar a esta causa da Baixa de alma e coração para que as coisas tenham um bom resultado”, afirma. Foi isso que procurou fazer, sempre num trabalho de equipa e de grande cooperação. “Nunca estive sozinho. Foi muito importante a colaboração e conhecimento de todos os elementos da Direção e foi desta união que resultaram as grandes estratégias que delineámos para a Baixa”, explica, destacando também as muitas entidades da cidade que se foram aliando à APBC neste seu trabalho em defesa da Baixa, uma prova de que algo de novo e de bom começava a despertar neste território que começa a atrair cada vez mais parceiros, visitantes, turistas e os tão desejados novos investidores.

Mesmo assumindo que nunca é possível fazer tudo o que gostariam, não tem dúvidas de que a Baixa está hoje melhor do que há alguns anos atrás. “Dificilmente conseguirei avaliar o nosso contributo mas acredito que ajudámos a fazer da Baixa o que ela é hoje”, realça, não esquecendo também outras entidades que ajudaram a tornar possível este caminho. “O sucesso da Baixa depende desta união. As coisas não acontecem de forma isolada. Todos têm tido um papel importante mas, acima de tudo, continuo a achar que foram os privados que contribuíram para este impulso que vemos hoje na Baixa”, realça.

E esse impulso dos investidores privados, nacionais e internacionais, são visíveis na “reabilitação urbana”, através de investimentos que passam pela recuperação de edifícios abandonados e lojas encerradas em algumas das principais artérias da cidade. Vítor Marques destaca, por exemplo, o que está a ser feito na Rua Visconde da Luz, onde há “dois/três anos estavam 13 lojas encerradas”. Nestes últimos meses, nessa rua, que considera “a segunda mais importante do centro histórico” (depois da Ferreira Borges), abriram já “duas ou três lojas e perspetiva-se que abra mais meia dúzia no próximo ano”. Um sinal evidente de que algo está a mudar, para melhor, e que faz antever um futuro mais promissor para esta área da cidade, assume.

Os altos e baixos que marcaram o percurso

Nestes cinco anos e meio de mandato, a Direção da APBC deparou-se com vários momentos, uns muito positivos e outros nem tanto. A classificação, em 2013, da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia, como Património Mundial da Humanidade pela UNESTO foi um “momento chave” na história da cidade. Os reflexos positivos não surgiram de imediato mas começaram a verificar-se nos anos seguintes, com o turismo a registar um crescimento significativo que se mantém até hoje. Há, contudo, outros fatores que podem ter contribuído também para este crescimento em termos turísticos, como a recuperação da economia. Vítor Marques recorda os anos de crise, o período difícil da Troika e do pós-Troika. Não esconde também os problemas sociais e humanos existentes na Baixa, tema que a APBC trouxe para o debate, alertando para uma realidade que não podia ser ignorada. Admite que esses problemas continuam a existir, sendo acompanhados pelas entidades competentes, “mas, fruto desta nova dinâmica que surgiu na Baixa, não estão tão visíveis”. Outro dos pontos importantes prende-se com a envolvência estabelecida entre a APBC e outras entidades, que começaram a trazer as suas realizações para a Baixa, ajudando a promover e a dar a desejava visibilidade a este centro comercial a céu aberto.

Este caminho está, contudo, sempre inacabado e todos podem ajudar a traçar o seu percurso futuro. Vítor Marques, também ele comerciante, lembra que “todos os comerciantes, independentemente do seu setor de atividade, podem contribuir para o sucesso da Baixa” e sublinha que “qualquer iniciativa que decorre na Baixa é para a beneficiar no seu todo e não nenhum negócio em particular”. Considera que “a cumplicidade e solidariedade entre comerciantes é benéfica para todos”, bastando, por vezes, pequenos gestos para iniciar a mudança, como manter as luzes ligadas enquanto decorrem as iniciativas e ajudar a promovê-las através dos meios que têm disponíveis.

Nesta hora de mudança, Vítor Marques assume que a despedida envolve sempre uma certa nostalgia, até porque foram muitos anos de uma dedicação intensa a esta causa. Não se trata, contudo, de um “corte”, porque a Baixa continua a precisar de todos. “Estarei disponível a 100 por cento para colaborar com a próxima Direção e com a APBC, não desta forma tão preocupada mas para ajudar no que for necessário. A APBC marcou a minha própria vida e seria estranho da minha parte não poder colaborar neste período de transição”, sublinha, deixando uma palavra de agradecimento, em nome de toda a Direção cessante, a Carina Alves, pelo trabalho “extremamente importante que faz para que a APBC tenha esta visibilidade”, sendo “uma peça fundamental para o sucesso das atividades desenvolvidas”.

Nova Direção deve ser eleita nos meados do mês

Cumprindo-se os estatutos da APBC, a nova Direção deve ser eleita em meados do mês. As eleições ainda não estão marcadas mas há já uma lista candidata, encabeçada por Assunção Ataíde. Esta empresária de A Camponesa deverá suceder a Vítor Marques na presidência. O presidente cessante lembra que a “causa da Baixa” exige uma entrega “de alma e coração” e acredita que “a nova Direção que está a ser preparada tem essa capacidade”. Considera também que, neste período em que “a Baixa está a sofrer algumas modificações, é importante que haja uma nova Direção que faça esse acompanhamento, que trace o seu próprio caminho”, com “novas pessoas, novas ideias, uma nova motivação e com muita motivação e empenho”.


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