6 de Abril de 2020 | Coimbra
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Souselas e Botão: Mais transportes determinantes para crescimento da freguesia

28 de Fevereiro 2020

Ter mais e melhores transportes públicos é a grande ambição da União de Freguesias de Souselas e Botão. Se tudo correr como previsto, os autocarros dos SMTUC devem chegar a mais locais já em maio ou junho, contribuindo assim para um maior dinamismo da freguesia e para a fixação da população. Essa é, portanto, uma das prioridades de Rui Soares, a par com outras obras que o presidente considera fundamentais para a qualidade de vida, como o alargamento do Centro de Saúde e a construção de parques infantis.

Rui Soares, presidente da UF de Souselas e Botão

Situada às “portas” de Coimbra, a União de Freguesias (UF) de Souselas e Botão conta com uma localização privilegiada, com as principais vias estruturantes a ligarem-na aos vários pontos do país. Luta, contudo, há muito por “mais e melhores transportes” a nível interno, que facilitem a deslocação das pessoas entre os 16 lugares da freguesia e entre estes e a cidade e localidades vizinhas.

Para o presidente da UF, Rui Soares, a questão dos transportes públicos é a que mais condicionalismos acarreta, com reflexos negativos em várias áreas, sendo por isso prioritária a sua resolução. Recorda que os anseios são antigos mas acredita que se concretizarão em breve, assim se cumpram os compromissos assumidos nas reuniões que tem tido com os representantes da Câmara e dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC).

A autarquia tem investido na extensão da rede dos SMTUC no concelho, com a introdução de novas linhas e o alargamento de outras. Souselas e Botão também fazem parte desse projeto, bem como toda a zona norte do concelho. De acordo com Rui Soares, há a promessa de ter “mais e melhores transportes públicos na freguesa em maio/junho”, com algumas das linhas dos SMTUC que já atravessam este território a prolongarem os seus percursos e outras novas a surgirem.

“As propostas que me fizeram estipulam que os autocarros dos SMTUC em vez de pararem em Sargento Mor e inverterem a marcha continuem pela Zouparria, Souselas (passam pelo Centro de Saúde), Ribeiro de Vilela e Fornos, seguindo depois o percurso normal em direção a Coimbra, passando pelas escolas da Rainha Santa e D. Dinis”, explica.

De acordo com o presidente, foi-lhe também anunciado que será criada “outra linha que irá a Souselas, S. Martinho do Pinheiro, Zouparria do Monte, Sargento Mor, seguindo pela Estrada Nacional até aos Fornos, Adémia, em direção a Coimbra, pela estrada antiga”.

De fora fica, por enquanto, a zona do Botão, Larçã, Póvoa do Loureiro, Mata de S. Pedro, Paço e Paúl. Rui Soares assume que são “áreas que também precisam muito de melhores transportes” e que questionou a autarquia sobre a viabilidade dos SMTUC também cobrirem estas localidades. “Aí surge a questão da TRANSDEV. Em 2015 saiu uma norma europeia que dizia que até 3 de dezembro de 2019 teria que estar feito o caderno de encargos para fazer novas concessões, ou seja, as concessões caíam por terra. A Câmara assumiu autoridade para os transportes para todo o concelho, um trabalho que fez muito bem, mas falta acautelar o caderno de encargos”, explica.

O presidente considera que “é urgente resolver esta questão”, até porque “não se pode continuar a prejudicar as pessoas destas localidades da UF”, lamentando que “existam realidades tão diferentes, nesta área”, nas 16 localidades que a compõem.

A introdução das anunciadas alterações e melhorias na rede de transportes públicos vai deixar, segundo o autarca, “esta zona muito bem servida”, uma melhoria que deverá trazer reflexos positivos a toda a freguesia, já que permite que as pessoas das localidades vizinhas se desloquem facilmente a Souselas e beneficiem dos equipamentos que aí existem, como o Centro de Saúde.

Centro de Saúde precisa de ser ampliado

O Centro de Saúde é uma das infraestruturas que aguarda por uma intervenção. Inaugurado em 2017, o Polo de Souselas da Unidade de Saúde Familiar Coimbra Norte dispõe de boas instalações mas carece já de mais espaço. “Há muita gente a querer inscrever-se e vamos ter mais médicos naquela unidade de saúde. Estamos a conversar com a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) no sentido de dar início às necessárias obras de ampliação”, explica.

De acordo com Rui Soares, “há muitas pessoas interessadas em inscrever-se no Centro de Saúde mas, para tal, é necessário que este tenha as condições físicas e humanas para as receber”. O autarca vai reunir brevemente com a presidente da ARSC, Rosa Reis Marques, para analisarem a viabilidade de alargar as instalações, de forma a poder contar com mais quatro gabinetes.

“Queremos centralizar aqui a saúde da zona norte. Acredito que com melhores transportes mais pessoas virão. Neste momento o Centro de Saúde já serve outras freguesias e tem muitas potencialidades para crescer”, realça.

Recorde-se que o Centro de Saúde está a funcionar no antigo edifício da Junta, que foi remodelado para acolher este equipamento. Foi estabelecido um acordo para que a Junta e o Centro trocassem de instalações, encontrando-se ainda o outro edifício desocupado.

Junta na CGD, GNR no antigo Centro de Saúde

Rui Soares explica que “ainda não foi feito nada no antigo posto de saúde porque há expetativas de poder comprar as instalações onde funcionava a Caixa Geral de Depósitos (CGD), transformando-as na sede da UF de Souselas e Botão”. A Junta já apresentou uma proposta à CGD, que não foi aceite, e prepara-se para negociar novamente. “A nossa proposta passava por assegurar também um serviço à população mantendo, através de uma parceria com a CGD, a caixa multibanco e, possivelmente, as caixas automáticas 24 horas. Todos os encargos ficavam à nossa responsabilidade e estávamos disponíveis para dar algum apoio às pessoas, através dos nossos colaboradores. Essa proposta não foi aceite, portanto temos agora que preparar outra que se aproxime mais do valor real do edifício”, explica, considerando que avaliação da CGD (147 mil euros) é mais elevada do que o seu valor real que, no seu entender, deve rondar “70 a 80 mil euros”.

Considera que este é um “investimento importante para a freguesia”, que aproximava a Junta da população e, ao mesmo tempo, contribuía para “dar mais vida ao centro da vila”.

Esta mudança deixaria livre o antigo posto de saúde, instalações que a Junta disponibiliza para a instalação do Posto Territorial de Souselas da Guarda Nacional Republicana (GNR), a funcionar atualmente na Avenida Dias da Silva, em Coimbra. “A nossa intenção é ceder este edifício à GNR pois não faz sentido nenhum que funcione na Dias da Silva. Andam há tantos anos para construir o posto em Souselas, no terreno que foi cedido para esse efeito, logo a seguir à Casa do Povo (onde antes se fazia a Feira das Tasquinhas), que não acredito que, tão depressa, haja dinheiro para o fazer”, explica. Realça por isso que a postura da Junta passa por “fazer parte da solução”, estando disponível para ceder as instalações e efetuar também algumas obras de melhoria que se justifiquem necessárias.

“Para nós era muito importante ter cá o Posto Territorial da GNR. A construção deste posto é uma promessa antiga mas como estamos todos habituados às promessas antigas que não são concretizadas, queremos, pelo menos, criar condições para que ele se possa ali instalar. Se é uma questão de falta de dinheiro, usem as instalações que oferecemos”, sublinha.

Caixa Agrícola a meio tempo

A UF de Souselas e Botão tem perdido, nos últimos anos, alguns dos seus serviços muito importantes. A luta pela manutenção dos contratos de associação no Instituto Educativo não teve sucesso e fim idêntico tiveram as manifestações contra o encerramento da CGD. No primeiro caso, os alunos acabaram mesmo por ter que sair da sua freguesia para irem para as várias escolas do concelho e, no segundo, os clientes têm agora de se deslocar às agências bancárias mais próximas.

Em Souselas existe agora apenas a Caixa de Crédito Agrícola e a respetiva caixa multibanco mas a agência está a funcionar somente durante a manhã, encerrando às 13h30. Rui Soares assegura que não está em risco de encerrar, como lhe foi garantido em várias reuniões que já teve com os responsáveis, devendo-se a redução horária ao pouco movimento.

Para acautelar o futuro, o autarca tem vindo “a sensibilizar a comunidade para que utilizem mais esta agência bancária” e está também a delinear estratégicas que passem pelo maior investimento na freguesia, de forma a promover o seu desenvolvimento económico e social.

“Temos tido muitas pessoas interessadas em investir na UF de Souselas e Botão, que tem acessos muito bons e está perto de tudo. Há muita gente à procura e queremos fomentar esse dinamismo. No fundo, queremos dar a conhecer às pessoas que a freguesia está aqui pronta para as receber”, frisa.

Parques infantis e geriátricos em projeto

Para receber bem as pessoas e servir os habitantes, é preciso investir em todas as áreas e criar condições e equipamentos que assegurem a sua qualidade de vida. Na área da infância, continuam a faltar parques infantis. Quase concluído está, neste momento, o Parque Infantil da Marmeleira, uma obra “há muito esperada”. Construído em 2006 através de protocolo assinado entre a Câmara, a Junta e Centro Social de Marmeleira, o parque precisava de obras de manutenção, que foram agora executadas, numa intervenção que esteve a cargo do Município de Coimbra e que contemplou a troca dos equipamentos de diversão e a execução de uma base em borracha mais moderna e segura, garantindo assim que as crianças aí possam brincar em segurança.

Mas este equipamento está longe de ser suficiente e é intenção da Junta construir um em Larçã e outro em Souselas, este no centro da vila, junto à Igreja e ao recinto das festas. Rui Soares recorda que a obra ali iniciada em 2014 pela Câmara ainda está incompleta, aguardando pela sua conclusão. A segunda fase passa, como explica, por “continuar a estrada até ao fundo do recinto, contorná-lo, concluir o polidesportivo e avançar com os arranjos urbanísticos”. O projeto inicial previa também a “construção de três edifícios para apartamentos e lojas”, o que considera “descabido porque o espaço não é assim tão grande e nós precisamos desta ‘sala de visitas’ da freguesia”.

O recinto das festas, junto à Igreja, é uma das “salas de visita” da freguesia

A Junta quer acabar o polidesportivo e quer arranjar fundos que lhe permitam construir ali um parque infantil, um equipamento inexistente na vila. A ideia é completar estes parques com algum mobiliário geriátrico, que possibilite a prática de exercício físico a todas as faixas etárias.

Para além destas obras, a Junta pretende também recuperar e melhorar os fontanários e lavadouros, tendo feito já o levantamento deste “património riquíssimo que faz parte da identidade do nosso povo e da nossa cultura”. Quer, ainda, fazer a estrada que liga a Mata de S. Pedro a Paço.

Parte dos 142 mil euros que a UF tem para gastar em 2020 e 2021, no âmbito das obras protocolizadas com a Câmara, vão ser canalizados para estes projetos. Rui Soares lamenta que o valor transferido da autarquia para a Junta tenha baixado de 84 mil euros em 2017 para 71 nos últimos anos, considerando que o diferencial (13 mil euros por ano) “dava para concretizar algumas destas obras que são importantes para melhorar a qualidade de vida da nossa população”. Mas, apesar desta quebra em termos financeiros e de “não ser possível realizar obra sem dinheiro”, sublinha que o seu executivo está habituado “a ir à luta” e promete “continuar a lutar pelos projetos em que acredita”.


  • Diretora: Zilda Monteiro

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