22 de Maio de 2019 | Coimbra
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JOÃO PINHO

Somos todos Casillas?

10 de Maio 2019

Se há atividade clinicamente escrutinada em termos cardiológicos é, por certo, a de desportista profissional de futebol. Os atletas são examinados com regularidade e alguns, raro é certo, acabam por encerrar carreira depois de confirmada patologia que o justifique.

Pese embora toda a vigilância exercida o corpo humano é uma máquina frágil e falível. Uma fragilidade que nos recorda, por exemplo, o caso de Féher, atleta do SL Benfica que faleceu de forma fulminante em pleno campo de futebol em Guimarães (2004).

Casillas teve uma grande dose de sorte no meio do azar que lhe bateu à porta, de forma cínica, no primeiro dia de Maio, mês do coração. Estava em pleno treino, rodeado pelo staff do clube onde se incluíam médicos especialistas e próximo a unidades de saúde. San Iker sobreviveu a um enfarte, acredita que pode voltar aos relvados mas, com 38 anos de uma recheada carreira, dificilmente poderá retomar a atividade. A vida voltará à regularidade possível, mas os dias de glória nos relvados terão terminado.

Só o seu imenso prestígio internacional justifica a onda de solidariedade em torno de um atleta do FC Porto – clube que muitos insistem em diminuir, não obstante ser o mais titulado clube português a nível internacional, juntando há dias ao seu vasto palmarés o primeiro troféu para Portugal relativo a campeão europeu de Sub-19.

Foi bonito, sem dúvida, que no meio da guerra instalada entre os principais clubes nacionais, SL Benfica e SC Portugal tenham enviado mensagens a Casillas desejando-lhe melhoras e transmitindo-lhe força. Contudo, ao não incluírem o FC Porto na missiva (pormenor importante), demonstram que tudo não passou de um número institucional, para ficar bem na fotografia.

Somos todos Casillas é a luz que inunda a hipocrisia reinante na sombra, na qual adeptos e dirigentes dos clubes rivais, esfregam as mãos de contentamento pela saída de cena de um adversário de nível mundial, na expectativa de que diminua a capacidade defensiva do outro lado da barricada.

É, infelizmente, a lógica do futebol, militarista e fundamentalista, que alimenta todo o tipo de emoções, só episodicamente pintada de humanismo e veracidade.

P.S Aqueles que duvidam do que escrevo é favor consultarem as colunas de comentários às notícias sobre o caso onde a guerra continua…


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