Coimbra vai ser uma das cidades portuguesas a acolher a Semana do Som da UNESCO, uma iniciativa internacional dedicada à reflexão sobre o som, a música e a saúde auditiva, com especial enfoque na inclusão de pessoas com deficiência auditiva. O evento realiza-se na cidade no próximo dia 19 de fevereiro, no Pavilhão Centro de Portugal, situado no Parque Verde do Mondego, com entrada gratuita.
A Semana do Som decorre entre 16 e 21 de fevereiro e vai passara ainda por Braga, Porto e Lisboa, sendo organizada pela Ouvir – Associação Portuguesa de Portadores de Próteses e Implantes Auditivos. Em Coimbra, a coordenação local está a cargo do médico otorrinolaringologista Luís Filipe Silva e de Emília Martins, presidente da direção da Orquestra Clássica do Centro (OCC).
O programa conimbricense integra dois colóquios temáticos e um concerto, concebidos para sensibilizar a comunidade para a importância do som ao longo da vida. O primeiro painel será dedicado ao papel do som na infância, enquanto o segundo abordará a estimulação sonora no envelhecimento.
Luís Filipe Silva afirmou que o objetivo, em Coimbra, passa por dar voz às “pessoas que têm dificuldade em partilhar este parâmetro fundamental de socialização e aprendizagem, que é o som”. Com mais de 35 anos de experiência no acompanhamento de surdos profundos, o especialista sublinhou ainda que o encontro fará referência aos implantes cocleares, dispositivos eletrónicos que estimulam diretamente o nervo auditivo.
O concerto associado ao evento terá uma forte carga simbólica. Segundo Emília Martins, será interpretada a Quarta Sinfonia de Beethoven, compositor que sofreu de surdez progressiva, bem como a obra “A Little Prayer”, de Evelyn Glennie, percussionista com deficiência auditiva severa desde a adolescência. O programa inclui ainda uma obra de Johann Sebastian Bach, com a participação de Russell Tyler, intérprete com implante coclear.
O primeiro colóquio irá debater a “necessidade e importância do som para as crianças”, partindo da ideia de que “o som modela a criatura humana”. Já o segundo painel, orientado pela neurologista Isabel Luzeiro, centrar-se-á na forma como o som contribui para a qualidade do envelhecimento. A especialista destacou o impacto do isolamento social nos idosos, alertando para a falta de estímulos da fala e da audição.