2 de Dezembro de 2021 | Coimbra
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Sem anos…

27 de Setembro 2018

“Parabéns a você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida… hoje é dia de festa, cantam as nossas almas, para o menino O Despertar, uma salva de palmas.”

(Ainda bem que escrevo o que gostava de cantar e não canto o que gostava de escrever!)

“O Despertar” é um jornal valente e resistente. Dos jornais que marcaram a minha infância, a minha juventude e os primeiros anos da minha vida adulta, o nosso jornal é o único que resiste e que me acompanha semanalmente. Muito obrigada!

Quando eu nasci já “O Despertar” frequentava a casinha da Praceta há quase 52 anos. Já era maduro e conhecia muito bem a família Luxo Correia. Diariamente, a caminho do Colégio, o Pai Augusto saudava o nosso querido vizinho, Sr. Armando Sousa. Este amigo, sempre muito simpático, cumprimentava as três meninas com um sorriso e trocava dois dedos de conversa com o nosso pai. Nós sabíamos que aquele senhor era o “Senhor Despertar”!

Fui crescendo e fui-me habituando a encontrar “O Despertar” em Coimbra e “O Comércio do Porto” e “O Primeiro de Janeiro” na casa dos avós do Luso. Estes eram jornais muito diferentes e as rotinas de leitura também eram muito diferentes. Em Coimbra às vezes liam-se textos em voz alta para toda a família mas isso normalmente não acontecia no Luso. Ali quem lia os jornais com mais atenção e cuidado era sempre o Avô Messias. A minha paixão pela leitura de jornais foi herdada, começou muito cedo e alimentou durante anos o meu sonho de ser jornalista!

Os diários da cidade do Porto foram perdendo o seu protagonismo nas minhas leituras quando, nos finais dos anos 80, apareceu o jornal que mais alimentou a minha paixão pela escrita: “O Independente”. “O Despertar”, no entanto, ia mantendo o seu lugar muito próximo de mim. “O Despertar” é da minha família e os outros jornais (foram e) são amigos. Todos são muito importantes mas o seu papel é muito diferente!

Fui andando de terra em terra (Glasgow, Viseu, Barcelona, Madrid, Valência, Atenas, Lisboa e muitas outras) e o nosso jornal foi continuando a ser o meu colinho. Algumas vezes o nosso encontro era na casinha da Praceta e muitas outras vezes “O Despertar” viajou e foi ter comigo onde eu estava.

Hoje, com o coração cheio de alegria e aos pulos, a menina dos 50 menos 2 anos celebra os 50 vezes 2 anos do nosso jornal. Hoje, esta menina que está a juntar estas letrinhas sorri enquanto pensa: um jornal que chega aos 100 anos é um jornal sem idade, é um jornal sem anos…

CLARA LUXO CORREIA (Colaboradora de “O Despertar”)


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