13 de Maio de 2021 | Coimbra
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CLARA CORREIA

Sejam muito bem-vindos!

9 de Novembro 2018

Há muito tempo que tinha vontade de escrever sobre as casas da minha vida…

Ler o livro “Casas Contadas”, de Leonor Xavier, acabou por ser a inspiração que me faltava para juntar letrinhas e assim concretizar esta minha vontade…

Queridos leitores, sejam muito bem-vindos às minhas casas…

Praceta, Coimbra: tudo começou na casa da praceta. É verdade que não nasci ali mas também é verdade que foi aquela a minha primeira morada. Foi a casa onde vivi até terminar o meu curso, foi a casa que visitei ao longo de anos e é a casa dos meus (re)regressos. Nas paredes desta casa habitam as minhas mais lindas memórias…

Great Western Road, Glasgow: viver nesta casa representou uma importante mudança na minha vida. Era a primeira vez que vivia sem os pais, era a primeira vez que vivia no estrangeiro e era a primeira vez que vivia numa rua com 5km, cheios de casas de desconhecidos. Aquela casa foi partilhada com três colegas espanhóis (Maria, Javi e Aitor) e os nossos dias começavam sempre ao som dos acordes de uma afinada guitarra (Javi). A nossa casa foi palco de muita alegria e fiquei com o coração eternamente alimentado de histórias de amizade…

Praia do Furadouro, Ovar: o primeiro emprego levou-me para S. João da Madeira e para casa de uns primos da Mãe Rosarinho, em Ovar. Quase 25 anos depois daquele início de vida profissional recordo com muita gratidão (e saudade) o modo como fui acolhida…

Rua Calouste Gulbenkian, Viseu: novo emprego, nova cidade e nova casa. Vivi muito pouco tempo aqui porque estava em casa de uma senhora que não conhecia e porque vivia, literalmente, ao lado do trabalho: saia do prédio e entrava na porta ao lado. Não gostei…

Marzovelos, Viseu: nesta casa vivi com a “minha família africana”. A Mãe Rosarinho conhecia a senhora com quem fui viver e ali fui muito feliz. Foi genial viver com a Lena e com os seus dois filhos (Inês e João). O João tinha dois aninhos, chamava-me “Quarinha” e começava os dias a dançar. A Inês era uma menina encantadora (e é hoje uma simpática e dedicada médica). O Pai Zézinho trabalhava fora de Viseu mas enchia a casa de alegria sempre que estava de volta. Mantenho uma ligação muito próxima com esta minha família do coração…

Gràcia, Barcelona: a minha vida em Barcelona começou em grande porque fui viver para o mais lindo bairro da cidade. O Bairro de Gràcia, o bairro boémio, tem um ambiente muito giro e completamente diferente do ambiente dos outros bairros. Ali passei as primeiras semanas de vida na cidade, em casa de um jovem casal hispânico-francês. Se eu pudesse ter escolhido teria ficado a viver naquele bairro…

Calle Europa, Barcelona: esta é a casa onde, no estrangeiro, vivi mais tempo. Ficava num bairro nobre da cidade, muito perto do meu trabalho (e do campo do Barça). No meu prédio havia uma simpática porteira que sabia demasiado sobre as nossas vidas. No nosso prédio tínhamos um café (L’Antull) que eu frequentava diariamente e onde almoçava muitas vezes com os meus colegas. Não têm conta os jogos de futebol que ali vi (não tinha televisão em casa). Naquele prédio senti, pela primeira vez, o que pode ser a cultura de um prédio. Às vezes ainda dou comigo a pensar que viver em Barcelona foi um sonho… um sonho lindo. Barcelona ainda me alimenta e é um amor para a vida toda…

Rua do Carmo, Lisboa: nunca mais vou viver assim! Nunca mais vou viver num apartamento tão giro (e tão bem localizado) na minha amada cidade de Lisboa. Tive esta oportunidade porque uma amiga de uma amiga vivia neste apartamento e, simpaticamente, me recebeu durante um ano. Saboreei cada minuto como se fosse o último e desfrutei ao máximo de viver no Chiado (e estar tão próximo do Bairro Alto). Eternamente agradecida…

Telheiras, Lisboa: é aqui que vivo! Esta não será a minha última casa (assim espero) mas será sempre uma das casas onde vivi (e amadureci) mais anos. Já lá vão 17 anos… É verdade que passei largas temporadas fora (em Portugal e no estrangeiro) mas também é verdade que nos últimos anos é esta que sinto (e vivo) como sendo a minha casa. È aqui que (mais) gosto de estar. É aqui que recebi a notícia mais triste da minha vida, é aqui que escrevi as mais lindas páginas do meu diário e é aqui que soltei as mais felizes gargalhadas. Esta casinha é a morada da minha feliz vida lisboeta…

Para o final deixei três casas muito especiais, onde nunca vivi, mas onde sinto ter vivido e onde passei (e passo) dias (muito) felizes: Casa de Lograssol, Casa de Podentes e Casa de Barcelona. A Casa de Lograssol é a casa-berço do Tio Quim e da Mãe Rosarinho e “só” por esta razão é já uma casa de Luxo. Esta é a casa onde durante anos, para desespero da Ti Aurora, sobrealimentei as galinhas. A Casa de Podentes é a casa-berço do Pai Augusto e o lugar onde adorava receber os seus amigos. (Quem não se lembra do famoso bacalhau com batatas a murro que anualmente se saboreava no Lagar?!). Esta é a casa onde testemunhei mais atividade agrícola e é também a casa onde mais corri à frente (e atrás) de animais: gansos, cães, galinhas e outros. A Casa de Barcelona é a casa de um amigo-irmão, que nos últimos anos me acolhe sempre que (re)visito a minha cidade-paixão. Vinte anos depois de me ter apaixonado pela capital da Catalunha é com muita alegria que passeio as suas ruas com a “chave de casa” no bolso!

As nossas casa também nos explicam… estas são as minhas casas… sejam muito bem-vindos!


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