4 de Agosto de 2020 | Coimbra
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JOÃO PINHO

Opinião: Reflexão em torno do “vamos ficar todos bem”

31 de Julho 2020

Agora que um bom par de meses passou sobre o rebentamento desta bomba epidemiológica chamada Covid-19, é já possível perceber que não, não vamos ficar todos bem. Nem de perto nem de longe cumpriremos a divisa que desde fevereiro tem animado o país.

Como podemos ficar todos bem se os pedidos de insolvência de empresas chovem nos tribunais, se as famílias vão escolhendo entre o trabalho para não morrerem à fome ou o confinamento pandémico, a restauração e turismo definham sem movimento clientelar, as cidades se desertificam, os lugares públicos são pontos a evitar?

Vivemos num clima de medo e insegurança, a meu ver exagerados, que interesse a alguém. É possível que estejamos a assistir ao princípio de um novo tempo e ao reequilíbrio de forças entre poderosos.

O mundo nunca foi um lugar seguro. Creio até que o milagre da humanidade é algo de misterioso e insondável. Hoje por hoje entregue a pseudo-líderes mundiais que de todo não me parecem normais, com traços comportamentais desviantes: Trumps, Bolsonaros, Putins, Kim’s e tantos outros – que oscilam entre a doideira, a maluqueira e a loucura!

Dizem que a vacina será a solução para o problema que vivemos na atualidade. E eu quero acreditar que o seja, embora saibamos que nos bastidores desta demanda está o negócio farmacêutico, o lobismo, o peso do setor industrial.

Gostaria de recordar que é de 2003, salvo erro, o primeiro alerta médico para a perigosidade desta estirpe. E que, posteriormente, tivemos recensões e novos alertas de insuspeitas figuras da medicina/epidemiologia para a emergência mais do que provável nos mercados asiáticos.

Se quem domina o conhecimento domina o poder, pergunta-se: por que razão os estados e a própria OMS sabendo de antemão da perigosidade do vírus não agiram e preferiram assistir, confortavelmente instalados no sofá, ao surto pandémico?

Desconfiemos de tudo isto. A economia está a definhar e o mundo quase parou. Não há estado previdente que nos valha, ou consiga acudir a todos os focos de incêndio trazidos por esta vaga sinistra. A Europa mandou uns dinheiros a fundo perdido: para os mesmos de sempre ou para aqueles que necessitam efetivamente de apoio?

Vamos ficar todos bem é uma espécie de lenga-lenga que nos embala e nos projeta para um lugar incerto, sem definição de espaço ou tempo, mas onde nos asseguram que tudo voltará ao normal.

Aguardemos mais uns mesitos para confirmar se ficámos todos bem ou se poucos foram aqueles que conseguiram não ficar mal.


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