10 de Julho de 2026 | Coimbra
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António Inácio Nogueira

Rainha Santa: Prosa Em Verso P’rá Rainha

10 de Julho 2026

Rainha Santa, Rainha minha;

Desces hoje ao povoado,

Imperial e serena,

P’ra ver o povo que te venera.

Tens, humildemente, os olhos postos nas rosas,

Das quais fizeste pão,

Saciando a fome dos deserdados.

Todos os anos ia ver-te a Santa Cruz,

Onde pousavas no teu andor;

Olhava-te, linda, em silêncio profundo.

Por momentos, parecia que rias,

Outros instantes parecias triste, amargurada,

Com os homens e mulheres deste mundo,

De compleição individualista e destituído de valores.

Abandonava-te com a alma redobrada.

Silêncio virtuoso e enobrecido.

Este ano não irei até lá; olho-te de longe, daqui, deste lugar,

Converso contigo, e o que me dizes Rainha?

– “Resiste, homem, resiste. Este mal que sentes o meu manto

Calará; voltarás a ver-me no meu andor. E comigo

Falarás.”

“Assim farei minha Rainha, aguardo ver o teu manto, nas

Entranhas do meu silêncio mais profundo.

Até lá o meu bem-querer.”

(Adaptado pelo autor de outro poema por si produzido)


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