27 de Outubro de 2021 | Coimbra
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Rainha Santa Isabel: Apelo sente-se, não se explica

26 de Junho 2020

Sente-se mas não se explica. É desta forma que alguns devotos da Rainha Santa Isabel descrevem o elo que os liga à Padroeira de Coimbra, um vínculo profundo que os tem acompanhado ao longo da vida e ao qual se “agarram” não só nos momentos de sofrimento e preocupação mas também de alegria.

Manuela Carvalhão, hoje com 79 anos, recorda que o seu amor à Rainha Santa despertou quando tinha apenas 12 anos. Veio para Coimbra estudar, precisamente num ano par, portanto ano de procissões. “Fiquei encantada e emocionada. Não sei explicar o que me tocou naquele momento em que vi a imagem da Santa e todo o ambiente ao seu redor”, recorda.

Mal teve idade tornou-se Irmã e hoje continua a ter uma ligação muito forte com a Santa que venera, presidindo às Irmãs da Confraria da Rainha Santa Isabel há longos anos. Continua a emocionar-se quando fala da história e da “vida exemplar” que teve Isabel de Aragão. “Foi uma grande Rainha, uma grande mãe e esposa. Foi uma mulher extraordinária, todas as facetas da sua vida são exemplares e é isso que faz com que as pessoas continuem a admirá-la em todos os sentidos”, sublinha, acrescentando que, desde que assistiu à primeira procissão, sempre sentiu “este apelo que vem de Santa Isabel”.

Beta Neves, 46 anos, partilha desta mesma devoção. A fé inabalável na Rainha Santa envolve toda a família e deve-se sobretudo ao marido, Vítor Filipe, que, como o próprio recorda, também cresceu num lar onde Santa Isabel sempre foi venerada. “Os meus pais também eram devotos da Rainha Santa. Tem qualquer coisa de místico, não sei explicar, só sei que nos puxa… É uma fé inexplicável, que se sente e não se explica”, realça.

A esposa e as filhas fazem todos os anos peregrinações a pé à Igreja, por vezes até mais do que uma por ano. Saem de Souselas por volta das 07h00 e chegam três horas depois. Beta Neves mantém este “ritual” há já 17 anos. Começou por ir com amigas mas desde que as filhas cresceram são elas que a acompanham. “É algo que nos puxa, quando lá chego é uma sensação de bem estar e de missão cumprida que não tem explicação. É um momento de profunda emoção”, conta.

É também presença assídua nas procissões, sobretudo na da noite. “É uma sensação tão estranha, um momento tão emotivo, de uma beleza tão grande que não dá para descrever o que se sente”, realça. Admite que, em momentos marcantes da sua vida, já fez promessas à Rainha Santa. Num sinal de agradecimento pelo percurso académico da filha mais velha vestiu-se com o fato da Rainha e fez toda a procissão com esta veste. “Posso dizer que, desde que vesti o fato até o tirar, parece que não sentia nada, não via as pessoas, era um respeito e uma emoção muito grandes”, recorda.

Paula Pereira, 54 anos, não esconde a emoção ao falar da Rainha Santa Isabel. Este amor vem desde a infância e foi-lhes passado pelos pais, tios e avós, que sempre a levaram a ver as procissões. “Conta-se que eu teria 2/3 anitos e ia a descer da Conchada para a Baixa a gritar a plenos pulmões que ia ver a procissão da Rainha Santa. É uma coisa que eu não consigo explicar, uma ligação muito forte”, recorda. Os pais casaram na Igreja da Rainha Santa Isabel e mantiveram sempre uma ligação a este templo. Paula Pereira conta, de forma emocionada, que a sua mãe faleceu há 15 anos com uma doença terminal. “Era um ano de procissão. Eu e o meu pai levámo-la lá, estavam a arranjar o andor e não consigo explicar o que vivemos naquele momento. É uma coisa que não se consegue transmitir por palavras, apenas se sente. É indiscriminável o que sentimos quando estamos perante aquela imagem”, termina.

A devoção de Isabel Aguiar, 62 anos, por Santa Isabel também vem da infância. A mãe sempre lhe falou da Rainha e a avó, que faleceu quando tinha apenas três meses, deixou-lhe uma grande imagem da Santa. “Toda a vida me influenciou. Vou sempre a pé a todas as procissões da quinta feira e sempre foi um momento que me marcou”, conta. Santa Isabel tem estado sempre presente na sua vida e “acompanhou-a” nalguns dos mais marcantes, já que foi na sua Igreja que casou e batizou os filhos.

Estes são apenas alguns exemplos de fé e devoção que mostram que Santa Isabel continua a ser muito amada e venerada. Indiferente ao tempo, transporta consigo uma mística que todos sentem mas que ninguém parece conseguir explicar.


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