20 de Outubro de 2021 | Coimbra
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SANSÃO COELHO

Que visão para Coimbra e região?

17 de Julho 2020

1. Há um tempo significativo GONÇALO M. TAVARES, numa sua crónica no JORNAL DE LETRAS, explorava a faceta de que com tanta gente a opinar é difícil haver tempo para pensar. Que nos perdoe o ilustre professor e premiado escritor se estamos a deturpar o seu pensamento. Na realidade adotamos o seu “princípio” como meditação antes de alinhavar seja o que for. E pergunto-me: valerá a pena opinar? Não será preferível aproveitar este tempo de opinião para o substituir por um exercício de reflexão? E socorro-me de MANUEL ALEGRE no discurso da cerimónia do seu doutoramento honoris causa na Aula Magna da Universidade de Lisboa: “Vivemos um período em que a única certeza é a incerteza. A História acelerou outra vez. Mas em sentido contrário”.

2. De 2018 para 2020, num espaço breve de dois anos, cada vez é mais certa a INCERTEZA. Agora a covid-19 veio sedimentar incertezas sendo certo que o país e o mundo sofrem um brutal colapso económico e social. Por cá já temos uma VISÃO ESTRATÉGICA PARA O PLANO DE RECUPERAÇÃO ECONÓMICA E SOCIAL DE PORTUGAL 2020-2030. A ver vamos! Li com alguma avidez as cento e vinte páginas. O plano indica que “é preciso descentralizar o crescimento e DESCENTRALIZAR O PAÍS”. Apela, dentre outras propostas, à transição verde, ao digital, aumento das qualificações dos portugueses, transformação da economia, soft power (permitam-me considerar como persuasão e habilidade na política para influenciar comportamentos), apostar na ferrovia, na reindustrialização, melhorar a justiça. Aponta-se para um projeto de investimentos para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto como duas macrorregiões. Preconiza clusters tecnológicos regionais em várias cidades de norte a sul com a mesma competitividade sugerida para Lisboa e Porto. Proclama também as médias cidades. Recordo, a esse propósito, que COIMBRA é uma média cidade, mais à escala portuguesa do que num plano europeu e, por isso, no nosso entender, é inadiável fazer a campanha para termos 250 a 300 mil habitantes. Além de que para nós a REGIONALIZAÇÃO do país é fundamental e está atrasada.

3. O plano ANTÓNIO COSTA E SILVA podia ter refletido com algum detalhe sobre o papel de Coimbra como cidade polarizadora, na Região Centro ou das Beiras, de outras cidades que deviam “trabalhar” numa relação forte (em rede) com a urbe coimbrã: o que não parece estar nesta “Visão”. Como exemplo, não se pode esquecer o forte cluster da SAÚDE em Coimbra servido por eméritos profissionais reconhecidos internacionalmente. Às vezes sucede que nos esquecemos do que há de bom por aqui. Volto a citar MANUEL ALEGRE: “O esquecimento está outra vez a vencer a memória”. Sendo assim: PENSEMOS.


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