23 de Julho de 2019 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Postal Ilustrado

11 de Janeiro 2019

Na história da arte contemporânea, bem atual, Isabel Zamith usa na sua obra filosofia da linguagem dos gestos, da graciosidade nos seus magníficos quadros que surgem de exposição para exposição como fenómeno social pelo valor intrínseco.

É uma artista incorrigível, atenta à natureza e aborda o lado funcional ou mais estrutural do desenho na figura e desenrola fases simétricas que tornam um sentido próprio.

O seu discurso, a sua reflexão filosófica tornou esta artista única como pinta o país, como o descobre, em telas, onde existe “ciência” do saber construir a natureza mais bela!

Alguns dos seus quadros são somente conhecidos em França, ora em coleções particulares e ora em galerias e a venda encorajou esta culta e missionária do bem a estudar e observar obras de grandes vultos da pintura ela mesmo já mencionada em eventos, e pelo seu estudo nota-se Delacroix, Van Gogh, Monet, Paula Rego, os impressionistas, Henri Rousseau, Ingres, numa constante descoberta com as exigências do conhecimento justo e da psicologia aplicada ao seu metier.

É das pintoras portuguesas mais inspiradas e concebe na feitura da sua pintura, desenho e figura e não aporetiza de ânimo leve a arte.

A arte é para Isabel Zamith uma espécie de credo, de fé, no fundo uma emocionante inspiração que galvaniza a autora e o público.

Em Coimbra realizou uma esplêndida e inédita exposição em várias vertentes no Chiado que foi motivo para discussão entre pintores, críticos e público num cenário magnífico.

A arte tem de ser viva, disse-nos Zamith. E de facto é uma premissa que há muito defendo nos meus ensaios sobre pintura, escultura ou literatura.

Esta artista já foi premiada e tem a cidade de Coimbra no coração!

Toma uma posição auto-crítica equacionando os problemas da objetividade do cromatismo, sempre em movimento, em novos processos para consciencializar a “sua pintura”, na expressão formal, ou no soberbo jogo como usa fórmulas, abrindo um novo ciclo na perceção do óleo que não se esgota na função conhecitiva pois dá-lhe uma reflexão poética, que entra em nós, magníficos temas recentemente vistos em Sintra e Lisboa.

Esta artista tem a intuição dos objetos, da figura, da paisagem, da luz e sombra, desarticulando a natureza na pluralidade para juntar átomos, enlaçando a cor pensada, descoberta, no exercício singular que disciplina a razão numa atividade a bem dizer poética da sua arte como agia o grande mestre Vasco Berardo, Luís Pimentel arguto e filósofo, João Mário, Lúcia Maia artista de eleição, Pedro Olaio, J. Eliseu no manejo das técnicas, Cunha na leveza da aguarela desde o Canadá a Portugal, pintando sempre e pela passagem no Brasil onde ensinou.

Seis dos grandes pintores de Coimbra abalaram para o mistério do além no ano passado!

Vasco Berardo foi um génio e Isabel Zamith em determinadas vertentes lembra o mestre da cidade de Coimbra e com fama (justa) internacional.

Falta a sua biografia em livro como foi feita a de Vítor Matias em que Mário Nunes e nós tivemos um papel importante.

Manuel Oliveira engrossa a série de grandes artistas de Coimbra.

Expôs no Chiado num festim para os olhos com novas descoberta.

Isabel Zamith pelo prestígio e pela valia real, universal, deixou em Coimbra brilhantes e criativas lições.

As sua exposições entre nós cabem nesta metonímia por demais simplista de ser, de facto, um dos valores mais alto que passaram por Coimbra.


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