25 de Setembro de 2021 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Postal ilustrado

7 de Fevereiro 2020

Vivemos num mundo conturbado em todos os sentidos.

O ser enquanto ser encara na vida atual uma situação angustiante, a bem dizer frustrante, ora por falta de ingredientes éticos, culturais, morais, ora por falta de substratum espiritual, ou cívico, que leva muitas vezes a reações interiores equívocas, ambíguas, despersonalizantes e, ainda, a um certo ceticismo schopenhauriano do “viver é sofrer”, ou seja, a um estado emocional de aflição latente. Será um famigerado stress a destruir a razão de viver em desigualdade?

Ou será de uma falta de consciência coletiva política e de consciência social que empurra o homem para uma descrença, em que, uma onda alterosa de injustiças sociais somente sobrevive o corrupto, o indivíduo venal que rouba e que se serve dos lugares da posição com o fim de lesar o que pertence ao Estado, aos outros, o que é da sociedade adrede organizada.

A vida de hoje, sem dúvida, é um mercado, um negócio sujo onde predomina o crime em todas as vertentes, uma pressa de fulanos e sicranos chegarem com gula ao património que pertence à sociedade atropelando todos na cobiça de chegar a uma meta perniciosa, a um fim, custe o que custar embolando riquezas infinitas no proveito próprio. São uma espécie de bandoleiros.

Não se escolhem os meios para atingir os fins.

E para isso atraiçoam-se os ideais, é como se tudo fosse leiloado na praça pública, tudo se corrompe. A consciência, a palavra de honra, dignidade, fé, convicções, corpos e alma, tudo se negoceia.

E rouba. Gente fina ou pública são os maiores pecadores. Traficam o património, a coisa pública, roubam o que pertence ao povo, ao Estado e de recurso em recurso muitas vezes estes criminosos nunca cumprem a pena, o castigo merecido.

E o stress cresce na intensidade com uma política vigente muitas vezes desumana, de compadrio, de gente fina que abusa de privilégios.

E de falhados propensos somente executar os vícios nefastos que trazem agarrados à pele.

A política social deste país mais ocidental da Europa é servido em regra pela cor, pela clientela e o povo recebe umas migalhas que caem da mesa sumptuosa dos senhores… de pança cheia!

Desilusão na cara do povo, a neurose, os desdobramentos de personalidades, esta falta de respeito pelos direitos do homem, dos mais desprotegidos, leva a uma visão catastrófica, para uma demagogia burguesa se regalar com os bens coletivos, mercê de pensões de miséria, de uma assistência social frágil, onde os barões do capital, da droga, do crime, se instalam em todos os setores.

O egocentrismo patológico dos falsos profetas favorece este terrível mal-estar!


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