8 de Maio de 2021 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Postal Ilustrado

24 de Janeiro 2020

A arte é uma forma viva de cultura e necessita de uma preparação intelectual e uma instrução extensiva sobre o seu metier e não se resigna à mera habilidade ou à feitura de elementos telúricos, isto na pintura e já há muito que se ultrapassou o “quadro” do romantismo do século XX, duma certa visão subjetivista predominantemente do “bem feito”, do rebuscado, como fosse uma espécie de educação do povo, ao contemplar numa galeria uma fileira de quadros que não passavam, em regra dum individualismo clássico, académico, da cópia, como se notou, em muitos artistas por esse país fora.

Esta face da nossa arte foi muito molestada pela crítica e pelos teóricos de “borla e capelo”.

Nesse tempo, curto tempo, foram votadas ao ostracismo e os fenómenos afetivos ou sensitivos, como realidade substancial e permanente da beleza espiritual, o teatro, a música, a pintura, a escultura, o próprio cinema sem a devida divulgação e proteção numa zona do espírito com direito pelo valor intrínseco da cultura, da própria educação.

A cultura neste país não se reveste num sistema de ensino, de regras e os governantes desconhecem os problemas mais lógicos, mais estéticos e cívicos à psicologia do saber.

Dizia-me há tempos uma amiga alemã, a residir neste país, que se escuta rádio ou televisão por regra programas comerciais até à saturação e outros de fraco nível público.

Há artistas atuais que resolveram criar as suas próprias formas, inventando, como um grito de revolta. Vivem um anseio de liberdade! Tal anseio de liberdade vem de longe, desde a década de cinquenta do século XX, como a arte fosse “coisa mental” plagiando Leonardo Da Vinci, que escreveu que a arte é “veia poética” com todos os vocábulos culturais.

E agora? Notamos os artistas estóicos, inteligentes, investigadores, na busca ao “novo”, e deixam o marasmo ou a tragédia grega da incompreensão e vão remando contra as circunstâncias negativas impostas pelo poder político desumanizado.

As apreciações artísticas das mais recentes gerações, mostram um labor cultural contemporânea bem universal, que lhe chamam um novo romantismo, pelo volume da mensagem perene, que vai galvanizando os instruídos de espírito!

Aqui, nesta cidade, houve sempre figuras na arte suprema na pintura ou escultura, no livro ou pensamento.

Bohr e outros pensadores defenderam a arte como domínio da filosofia e outros como Morgan Smith no campo da psicologia e da sociologia como novidade que se renova mercê da valia intrínseca dos seus inventores.

E aí estão nas artes plásticas José Contente, José Berardo, Vítor Ramos, Cunha Rocha, marcaram muito o nosso património com Mário Silva, Tesha, José Eliseu, Ortiz, Menano, Vítor Matias, Alda Belo, Helena Toscano, Manuel Oliveira e outros.

E é com artistas deste jaez que a cidade acorda lentamente do seu sono e vai criando de índole cultural a sua velha imagem e se cria uma espécie de escatologia dum movimento histórico e onde pontifica Pedro Olayo e José Berardo, já falecidos, mas sempre vivos na memória da nossa criação artística!


  • Diretora: Zilda Monteiro

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