30 de Maio de 2024 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Postal Ilustrado

11 de Outubro 2019

O comércio não obstante as dificuldades por que passa em certas áreas tem feito um trabalho digno de nota – a gastronomia, a doçaria conventual, o folclore, o artesanato, as feiras espalhadas pelas ruas Visconde da Luz e Ferreira Borges são dignos de nota.

Um punhado de homens tomou a defesa de Coimbra que nos empresta uma imagem adormecida na tentativa de concentrar uma espécie de associativismo, mesmo limitada a um tanto de boa vontade para não existir descontinuidade dum futuro movimento cívico, social, moral e comercial com perspetivas pessoais cada um com o seu saber e sem a politização abstencionista dos comparsas do mal dizer.

Coimbra, no fundo, precisa de se erguer. De dizer não às circunstâncias negativas impostas, muitas vezes, pelo ostracismo governamental e até municipal.

Basta de tanta desconsideração por uma cidade que honra a nossa cultura e um iluminismo que faz história nas letras, na ciência, nas artes, num curioso florescimento que alberga os maiores poetas, escritores, desde D. Dinis a Miguel Torga.

Houve um certo modernismo conimbricense com figuras relevantes como Carminé Nobre, Jorge Peixoto, Penalva Rocha, Adolfo Freitas, Mário Temido, Sílvio Pélico, Octaviano Sá, Amâncio Frias, Orlando Carvalho, Cid’Oliveira, Armando Sousa, António Sousa (Tony), Nunes Pereira e outros no roteiro histórico crítico dos problemas citadinos, do país, da Academia, a favor duma nova humanidade para Coimbra.

O teatro utilizava imagens simbólicas do seu valor intrínseco como Mário Temido que usava o pseudónimo de Jorge Montes Claros que versava em maravilhosos artigos, neste jornal a arte de Talma desde Shakespeare onde ia buscar motivos para as suas metamorfoses.

Hoje esse humanismo continua doutra forma a promover eventos de cultura como os livros que vão saindo, sobressaindo Paulo Ilharco com dez livros publicados de grande rigor estilístico.

A cidade ainda mexe na liberdade do pensamento e da criação na originalidade das crónicas sociais e no simbolismo ideológico e no realismo dos escritores e jornalistas no senso individual e coletivo, na palavra, no gesto de vivificar a cultura. E nos artigos brilhantes inseridos na imprensa da cidade que são uma explosão de liberdade e a tendência duma originalidade sempre pronta a comunicar ou ávida de dar ao “velho roupas novas”. Os jornais de Coimbra marcam uma posição do verbo escorreito que agrada ler, ver, reler.

A imprensa local ultrapassa os seus limites rasgando fronteiras e já fomos leitores desta nobre imprensa em terras estrangeiras, numa tomada de consciência do seu valor!


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