22 de Janeiro de 2026 | Coimbra
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MANUEL BONTEMPO

Postal Ilustrado

28 de Junho 2019

A pintura de Alda Belo possui uma linguagem de boa cepa e onde a figura tem um cromatismo no desenho arbitrário e quase sempre de linhas geométricas determinadas por reações pictóricas e sensoriais que, no fundo, é um comportamento psicológico individual.

Pintura, por vezes, a lembrar Moçambique, onde exerceu a profissão de professora e insere pedaços dessa atmosfera tropical principalmente no coletivo dos meninos, no gesto, na criatividade em expressar com rigor à mundividência dos povos que se cruzam, se estimam e ligados pelo idioma e pelo sentimento.

Foi um período brilhante desta pintora e poeta há anos no seu filme em mostrar ao leigo, ao desprevenido, a leitura dum país por demais ligado ao nosso.

Foi das exposições mais convincentes que observámos neste país numa pintura adulta.

Retratista, também, forneceu em várias “mostras”, o facie da mulher!

Coimbra tem as suas mulheres de grande mérito na pintura.

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Helena Toscano pintou obras fora da geometria habitual. A sua finalidade foi criar beleza sem falsas leis de moral, na autenticidade de seu estro, numa arte liberta e sem ser escrava de teologias.

Daí ser uma devota do desenho depurado por uma sensibilidade cuidada numa corrente antropológica que foi, nos anos 80 e 90 do século XX, quando Coimbra “albergava” grandes nomes das artes do país, uma mensageira do culto da beleza sem efeitos grotescos em moda nesse tempo em pintores de domingo sujavam o merecimento dos criadores…

O seu atelier tornou-se nessa data centro na afirmação dos sentimentos dos pintores com exposições regulares numa excitação de alegria repassada do senso comum se empolgar com a arte dos obreiros de bem pintar.

Por demais conhecidos não é preciso falar nesses monstros sagrados todos, infelizmente desaparecidos e, ultimamente, fizeram a última viagem cinco mestres…

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António Costa capta na sua pintura as zonas subconscientes, as mais escondidas, convincente, é no rural a sua imagem devota, quase peregrina ou no paradoxismo duma arte adulta ou numa experiência laboratorial em fidelidade à paisagem e ao gosto de discutir o mistério e o sortilégio que embarga o espetador.

Três pintores que muito fizeram pela nossa cultura que embelezaram o nosso chato quotidiano e ainda hoje anotam em sinfonias, ou na diferenciação específica a beleza que entra pelos nossos olhos liriais no método da arte ser ainda hoje, na cidade académica uma filosofia liberta de ser escrava de teologias ou de meros academismos.

Estes artistas, vivos, causam profunda expressão nos seus trabalhos de algumas décadas.

Pintura que testemunha a propensão do valor real reconhecido nas “mostras” realizadas em Coimbra e por este país como aliás fizeram os saudosos Mário Silva, Cunha Rocha, Pedro Olaio (Filho) através do sonho ou da sensibilidade à beleza…


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