23 de Junho de 2021 | Coimbra
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Parabéns com fogo-de-artifício

27 de Setembro 2018

O semanário “O Despertar” está centenário!

Associo-me a esta comemoração sugerindo aos leitores que imaginem um belíssimo fogo-de-artifício para celebrar estes primeiros cem anos! Um fogo-de-artifício que impregne o pensamento de deslumbramento e que sugira recordações neuronais, vislumbre virtuais das inúmeras edições de “O Despertar”. Assim como este semanário passou por várias etapas, fruto da natural mudança que o tempo semeia, assistamos reconhecidos a este fogo-de-artifício imaginário, com diversas evoluções a colorirem geometrias variadas no céu do nosso pensamento.

Como a minha colaboração neste semanário se dedica à divulgação científica, o que faço regularmente há cerca de oito anos, permitam-me explicar com algum conhecimento químico as cores que poderão surgir no fogo-de-artifício sugerido. De facto, sem química não haveria fogo-de-artifício!

E, enquanto divulgador de ciência, procuro sempre fontes de conhecimento rigorosas, pelo que pedi ao químico Paulo Ribeiro-Claro ajuda para a química do fogo-de-artifício. Ele enviou-me o que a seguir transcrevo.

“O componente fundamental do fogo-de-artifício é a ‘concha’, normalmente um tubo de papel cheio com pólvora negra e pequenos globos de material explosivo chamados ‘estrelas’. Estas contêm quatro ingredientes químicos: um material combustível, um agente oxidante, um composto metálico responsável pela cor e um aglutinante para manter estes componentes unidos. Durante a explosão, o agente oxidante e o combustível reagem de forma violenta, libertando calor intenso e materiais em fase gasosa. É a expansão brusca destes materiais gasosos que cria a onda de choque que nos chega aos ouvidos como o som da explosão. E é o calor libertado nesta reacção o responsável pelo brilho e cor do fogo-de-artifício.

As cores do fogo-de-artifício têm origem no calor libertado na explosão e que é absorvido pelos átomos dos metais presentes na composição da ‘estrela’. Estes átomos irradiam a seguir radiação luminosa colorida. A cor da luz emitida varia consoante o metal utilizado: O vermelho é normalmente obtido com sais de estrôncio ou de lítio; a cor de laranja é característica de sais de cálcio, como o cloreto de cálcio; o amarelo é facilmente obtido com sais de sódio, sendo vulgarmente utilizado o cloreto de sódio – o sal das cozinhas; o verde é obtido com cloreto de bário; enquanto o azul é obtido com cloreto de cobre.”

A compreensão do fenómeno químico que permite o fogo-de-artifício não diminui o deslumbramento que ele nos causa. Muito pelo contrário, acrescenta a satisfação pelo saber adquirido e por o termos compreendido.

Mais uma vez, parabéns ao semanário e felicitações a todos os que o tornaram e tornam possível! Bem hajam!

ANTÓNIO PIEDADE (Colaborador de “O Despertar”)


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