6 de Abril de 2020 | Coimbra
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LUCINDA FERREIRA

O mistério das Tripeças

21 de Fevereiro 2020

Há uma coisa que me custa especialmente: ser porta-voz do que a maioria das pessoas considera menos bem!

Neste caso é surpresa, tristeza e desgosto da maioria dos conimbricenses que ama o Jardim Botânico…

E qual razão?

Numa tarde cálida, os mais velhos amavam dar um pulinho ao Jardim. Tantos ainda recordando as horas que aí passaram, preparando-se para os seus exames.

Conquista. Sucesso, ligada à sombra fresca das árvores amigas. Saudável escolha, oferecida por condições de um ambiente acolhedor e propício à concentração.

Outros, revivendo momentos felizes da juventude, ligados ao seu primeiro amor. Momentos mágicos. Fugidios. Irrepetíveis e únicos.

Visitantes atraídos pelo prazer de um local aprazível, acolhidos pela Natureza colorida, passarada, frescura e silêncio saudável, longe dos centros comerciais, barulhentos e insuportáveis.

Mas a surpresa e a impossibilidade de aí permanecer, provoca em todos – idosos e crianças; conimbricenses e visitantes; ricos e pobres; saudáveis e doentes –, uma tristeza imensa.

Revolta. Incompreensão pela arbitrariedade dos responsáveis deste Jardim, a quem temos solicitado esta mudança, através de contacto, via e-mail, sem qualquer resposta, obrigando-nos a vir aqui, publicamente, expor a urgência da reposição de bancos, capazes de serem usados no Jardim Botânico, da cidade de Coimbra.

Como será que justificam.

Explicam, o desaparecimento de bancos condignos, capazes de acolherem minimamente as pessoas, com esse com direito, na sua Terra?

Será que a um velho que lutou, trabalhou, sofreu a vida inteira, também será negado o direito de sentar um pouco, à sombra fresca de uma árvore, respirando calmamente o oxigénio, num dia escaldante de verão, ou num pequeno passeio saudável, ou entregando-se a uma leitura agradável, num jardim da sua cidade?

Depois de tantas árvores desaparecidas, não substituídas, outro desgosto ofensivo para a população!

Agora, são as Tripeças extremamente incómodas e inadaptadas nas quais alguém jamais se poderá sentar.

O desconforto e despropósito daqueles objetos apenas usados para macacos de circo, exibidos apenas por tempo mínimo, colocados num local convidativo à paz e à vista, torna-se uma decisão e escolha ridícula.

Será que quem teve aquela iniciativa já terá experimentado como é “agradável” estar sentado naquela Tripeça?

E já lá terá conduzido um idoso, seu familiar próximo, para ver como ele se sente? Ou mesmo uma criança do seu sangue? Pois é. O que não queremos para nós, não podemos querer para os outros.

E se tiveram poder para tomar esta decisão tão ridícula, incómoda e fora do contexto, por favor vejam se têm vergonha e arrancam as Tripeças e repõem os antigos bancos, ainda que velhinhos.

Ou também já venderam o ferro, para fazer mais dinheiro?

“Na administração pública, aonde se espera o resultado político, obra sem alma é obra não feita. É promessa não cumprida. É nada mesmo que tudo. “- Jean Carlos Sestrem.


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