O amieiro é uma espécie usual nas margens dos cursos de rios e ribeiros. A sua madeira era muito considerada por ser leve, fácil de trabalhar, durável. Usava-se para fazer tamancos, os eixos dos carros de bois e muitos outros objectos. O seu lenho, de baixa consistência e resistente à água, era muito utilizado na construção de corpos de guitarras.
O amieiro tem uma característica sonora muito sedosa, com um grave bastante profundo. Possui um timbre muito afilado, alta velocidade de irradiação do som.
Não admira que eu me quedasse nas margens da ribeira da minha aldeia, em dias de ventosidade, a ouvir o som delicioso das folhas a bater umas nas outras e o vento soprando a passar entre elas. Adorável.
Ó Amieiro Do Rio
Tuas folhas tocam música,
Sempre que o vento as agita.
Interpretam grandes sonatas,
De Mozart a Chopin. Por vezes Bach.
E eu, debaixo sentado,
A ouvir extasiado!
O rio toca trompete,
As folhas clarinete;
O vento sopra a trompa;
Os pardais a sua flauta;
Os rouxinóis trinam violino;
As rolas afinam o violoncelo;
Os cucos cantam, cu-q’ru cu.
E eu?
Nada sei de música,
Apenas sei apreciar;
E, ao ouvi-la, aproveito para sonhar.