30 de Maio de 2024 | Coimbra
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João Pinho

Notas breves sobre a monografia da Freguesia de São Paulo de Frades

21 de Outubro 2022

Na passada semana o atual executivo da União de Freguesias de Eiras e S. Paulo de Frades, anunciou, publicamente, que está a trabalhar na monografia da freguesia, tendo, para o efeito, contratado os meus serviços.

Foi, na verdade, a revelação no espaço público de um pensamento tornado realidade, e no qual venho trabalhando, sem ondas e de forma tranquila, desde princípios do ano. Com fortíssimo apoio e confiança de homens que muito estimo – Luís Correia, Hélio Paulino, Fausto Reis, entre outros – e na esteira do legado que em 2008 deixei em Eiras, fruto da sensibilidade de autarcas do calibre de José Passeiro, Filomena Santos ou José Henriques – lançámo-nos numa aventura de desfecho sempre imprevisível: que nos revelarão os caminhos mais recônditos da história das nossas comunidades, no caso concreto, S. Paulo de Frades? A investigação demorada e ponderada trará a esperada resposta, estou certo disso.

Num primeiro momento há que tratar o reconhecido e sinalizado, mas depois vem o momento de alguma ansiedade para quem investiga, que se prende com o ineditismo da matéria que emerge da penumbra dos tempos. E é esse espírito de descoberta, de gosto, de curiosidade que me anima há mais de 20 anos, num trabalho intenso de dedicação às nossas freguesias, as quais, apesar do esforço continuado de muitos autarcas e da própria Anafre, continua longe do reconhecimento nacional que merecem, mais não seja pela originalidade que transportam no quadro organizativo e administrativo nacional, logo, também, europeu.

Neste projeto, que considero ter um tiro de partida muito feliz, conjugaram-se vontades e sensibilidades, demonstrando que é possível separar as vidas profissionais, pessoais e cívicas, independentemente de determinadas opções. Escrevo, pois, usando da minha liberdade de raciocínio e livre pensamento, que estes homens que me confiaram tão nobre tarefa, tiveram a capacidade – rara, muito rara, diria – de não misturar alhos com bugalhos e de apostar na prata da casa, «no nosso historiador», como Luís Correia me apelidou na primeira reunião que fizemos pouco depois do ato eleitoral de 2021.

Tal como Martin Luther King nos ensinou todos temos um sonho. Eu, por acaso, ou talvez não, tenho vários e, um dos mais relevantes, continua a ser o de promover a cultura de base, de raiz, do sangue que nos corre nas veias, legado pelos nossos antepassados. Gostaria, obviamente, e após tantos anos de dedicação, de conseguir perceber o puzzle da evolução histórica do município e, a partir desses estudos, construir um discurso histórico o mais fidedigno e abrangente possível, de forma que se disponibilizasse para as gerações vindouras, a História, Evolução, Memória e Identidade do meu município natal – das Origens à Atualidade.

Este trabalho, porém, está por fazer não só no nosso município (pelo menos parcialmente), mas também à escala nacional. E temos tanto por caminhar, desbravar, conhecer e informar. Porém, o curso da génese cultural tende a diminuir-se perante a necessidade dos ganhos imediatos trazidos pela fruição turística, inviabilizando, por isso, que projetos de médio ou longo prazo possam ser apoiados, estimulados ou desenvolvidos. Uma monografia demora o seu tempo, mas até nesse capítulo estamos perante considerações base onde o tempo sendo relevante, não é decisivo, como é de boa regra nos projetos que se desejam de sucesso.

Espero, ainda, que acordemos a tempo para a sublimação do que é genuinamente nosso, português, pátrio. E que Deus me dê força e saúde para persistir na razão que me assiste, com apoio de gente boa e jovem, como é o caso dos autarcas de S. Paulo Frades, testemunho evidente de que vale a pena acreditar nas novas gerações.

 


  • Diretora: Lina Maria Vinhal

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