23 de Setembro de 2019 | Coimbra
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JOÃO PINHO

Nota de Rodapé: Quem acode ao Centro de Saúde de Santa Clara?

9 de Agosto 2019

Há muitos anos que sou utente do Centro de Saúde de Santa Clara (ACES Baixo Mondego/USF Coimbra Sul) e, durante anos, nunca tive a mínima razão de queixa do seu funcionamento, tanto do ponto de vista administrativo/burocrático como médico/clínico. Honra seja feita, aliás, aquela que durante anos foi minha médica de família, e da qual guardo gratas recordações – Doutora Maria de Lurdes.

Porém, a consideração de anos principiou a ruir durante o findo mês de junho, acabando com grande estilo no passado dia 01 de agosto. Na primeira prova de fogo a que foi sujeita a minha nova médica de família, Dr.ª Liliana (nome fictício), o caldo entornou-se, evidenciando que juventude raramente casa com experiência e que simpatia não rima com profissionalismo.

Passo a explicar:

– No dia 21.06 de 2019 dirigi-me às urgências do referido centro dada a sintomatologia que evidenciava. Medicado como tendo rinite alérgica assim estive alguns dias até que, perante persistência e agravamento dos sintomas, regressei para segunda consulta de urgência, no dia 24.06, no seguimento da qual a Dr.ª Liliana manteve o diagnóstico;

– Após uma semana e alguns dias sem melhorias, e dada a minha condição de evidente debilidade, dirigi-me aos HUC na noite de 30.06. Após 12 longas horas nas urgências, e depois de vários exames e tratamentos efetuados, foi-me diagnosticada infeção respiratória com vários dias de evolução, felizmente, sem comprometimento pulmonar – como consta do relatório de alta.

Ou seja: durante três semanas a minha nova médica de família andou a brincar com a minha condição de saúde, nunca considerando outro diagnóstico perante a persistência de sintomas – conclusão a que facilmente chegaria se me tivesse mandado fazer um simples hemograma com leucograma e bioquímica, medida logo adotada nos HUC.

Quis o destino que a minha consulta anual de saúde familiar tivesse sido marcada para o dia 01.08 – depois de vencida a tempestade que se abateu sobre mim. Não seria em circunstância alguma uma consulta fácil, pois levava dúvidas e questões pertinentes para apresentar à minha médica de família, recém-regressada de férias.

Mas não podia imaginar, de forma alguma, o que viria a suceder: fui chamado e atendido, inicialmente, não pela médica de família, mas sim por uma estagiária que deixou a consulta a meio e partiu para parte incerta, deixando-me na sala sozinho e sem explicação durante 11 minutos; a direta responsável pelo meu acompanhamento, Dr.ª Liliana, lá apareceu, 20 minutos após o horário fixado para a consulta (11 horas), a quem apresentei o meu ponto de vista sobre a evolução da patologia, colocando a possibilidade de existir erro/falha da sua parte; inesperadamente, não aceitou em momento algum o que lhe disse, refugiando-se no clássico e absurdo «não discuto clínica consigo», sugerindo, ato contínuo, a sua substituição como minha médica naquele centro; a terminar, reafirmou que voltaria a proceder da mesma forma numa situação análoga e, para fechar com chave de ouro afirmou: «da próxima vez, se não estiver satisfeito com a qualidade do serviço, recorra aos HUC».

Fiquei perplexo com este comportamento de inflexibilidade e alguma arrogância até, a que posso juntar outras falhas ao nível do funcionamento da unidade de saúde, nomeadamente, a gestão de entrega e avaliação de exames ou a ineficácia dos telefonemas e outros meios de contacto.

Não quero acreditar que a unidade funciona bem para amigos e familiares próximos, como escutei na sala de espera. Não quero acreditar que a Dr.ª Liliana estava na galhofa enquanto eu, que de forma indireta lhe pago o salário, esperava por si, dentro do horário aprazado, num gabinete deixado ao abandono em horário de serviço. Não quero acreditar que enviou a estagiária na frente, adivinhando um reencontro difícil com a minha pessoa; não quero acreditar em tanta falsa de profissionalismo.

No fundo, não quero acreditar – mas a realidade assim o confirma – na existência de profissionais de saúde que de médicos têm apenas e só o fardamento branco, um estetoscópio a enfeitar o pescoço e uma lista de medicamentos a prescrever, ao sabor de instintos fatais.

Dr.ª Liliana faça-me um favor como utente e defensor do SNS. Tenha um pinguinho de vergonha e considere outra profissão. Ainda vai a tempo de uma grande carreira!


  • Diretora: Zilda Monteiro

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